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“Imaculada” impacta no visual e na metáfora a que se propõe

Por Reinaldo Glioche

Imaculada
Montagem sobre reprodução

O empenho de Sydney Sweeney para que “Imaculada” visse a luz do dia, e este é o primeiro filme que ela produz, afere mais peso dramático ao escopo do filme, que trata de uma freira que engravida daquele que pode ou não ser o anticristo.

Sweeney testou para o papel quando tinha 16 anos, antes mesmo de entrar para o elenco da série que lhe deu fama, “Euphoria”, mas o filme acabou não acontecendo. Alguns anos depois ela procurou o roteirista Andrew Lobel para tentar ressuscitar o projeto. O roteiro ganhou um novo tratamento e Sweeney escolheu Michael Mohan, que a havia dirigido em um bom suspense da Amazon, “Observadores” (2021), para assumir à direção. O filme foi rodado de maneira independente e depois vendido para a Neon, que já trabalhou alguns bons filmes de terror como “Piscina Infinita” (2023), “Little Monsters” (2019), “O Chalé” (2019) e “Titane” (2021). No Brasil, o longa chega em 30 de maio pela Diamond Films.

A atriz, que está em uma rápida escalada rumo ao estrelato, contribuiu ativamente para que “Imaculada” ganhasse seus contornos definitivos e, portanto, conjugasse o esmero visual do body horror com o alcance temático das elaborações a respeito do aborto e da clausura a que mulheres podem ser submetidas sob os mais variados pretextos, como o religioso.

Leia também: Sydney Sweeney está pronta para dominar Hollywood

No longa, Sweeney vive a jovem Cecília que parte para um convento isolado na Itália na expectativa de adquirir novas perspectivas. “Se você veio aqui para se encontrar, veio para o lugar errado”, adverte uma noviça que parece especialmente chateada com sua chegada. A estranheza rapidamente se instala no convívio naquele remoto lugar e aflora com toda a sua força quando Cecília surge grávida.

O padre Tedeschi (Álvaro Morte) e seus colegas rapidamente atestam o milagre e embora haja um esforço para mantê-lo em segredo, Cecília é tratada internamente como uma bem-aventurada. Ela, porém, não se sente assim. Seu corpo parece apodrecer e a postura negligente do médico que a acompanha também irrita.

Com uma duração curta, toda cena importa em “Imaculada”, que navega entre o gore e o sugestivo com habilidade. À medida que a revelação se consome, outra boa elaboração sobre o fanatismo se alinha, mas “Imaculada” não almeja ser high horror e se suja – e a sua protagonista – de sangue para articular um dos finais mais fortes do gênero no cinema recente, em que a audiência é convidada a postular tanto a respeito do que viu como do que ficou sem ver.

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