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Tudo velho de novo em 2024

Edson Aran

Cena de Furiosa
Foto: Divulgação

A Terra gira em torno de sol a 100 mil quilômetros por hora. Com base nesse ciclo, uma das espécies primatas que vive no planeta decidiu contar o tempo, o que é uma coisa muito ridícula.

Tempo não se conta, tempo se perde.

Mas convencionou-se que um círculo completo em torno da estrela equivale a doze meses ou um ano.

No início de cada giro, as criaturas (que pretensiosamente se autonomearam “homo sapiens”) desandam a fazer planos.

“Tudo vai ser diferente!”

“Ano novo, vida nova!”

“Agora vai!”

E tudo permanece igual.

A vida, leitora querida, é uma sequência de boletos até que você passa o saldo devedor para quem ficou.

A prova de que nada muda são os filmes produzidos em Hollywood, um tipo de diversão muito apreciada pelos primatas sapientes da Terra.

Só tem sequência!

É inacreditável!

É como se os estúdios só existissem para esfregar na nossa cara a falta de sentido da existência. “Aí, ô mané, você está num mundo onde nada tem valor, a não ser o preço do ingresso! Compra a pipoca junto que sai mais barato.”

Este ano vai ter “Sonic 3”, “Kung Fu Panda 4”, Duna 2”, “Bad Boys 4”, “Um tira da pesada 4” e “Entre Facas e Segredos 3” e “King Kong vs Godzilla 2”.

Você acha que é muito? Ainda não acabou. Os símios de “Planeta dos Macacos” também voltam e “Old Guard”, uma cópia ruim de “Highlander”, vai ter continuação, enquanto o próprio “Highlander” está sendo refeito. E a Disney, claro, continua firme no propósito de destruir o próprio legado e vem com “Mufasa – O Rei Leão”, sequência disfarçada de prólogo. Musafa é o pai de Simba, lembra? Hakuna matata!

O truque do falso prólogo também será usado em “A primeira profecia”, que chega para desmoralizar o filme de 1976 (que teve duas sequências), assim como fizeram com “O Exorcista” no ano passado. Essa eu não entendi. Damien, o Anticristo, vinha para provocar o Apocalipse, será que teve um armagedon anterior e ninguém ficou sabendo?

Também tem um novo “Alien” no pedaço: “Alien: Romulus”, dirigido pelo mesmo Fede Alvarez que destruiu “Evil Dead” em 2023. Mas isso é até perdoável porque o próprio Ridley Scott, diretor do ótimo “Alien” original, já tinha se encarregado de estragar sua obra com os indigentes “Prometheus” e “Alien: Covenant”. E como ele não liga mesmo pra biografia, ainda volta com “Gladiador 2”. Também não entendi essa. Maximus Decimus (Russel Crowe antes de engordar 500 quilos) morreu na arena enfrentando o imperador Comodus (Joaquin Phoenix). Será que ele volta como um zumbi obeso, um zumbeso?

De qualquer forma, esse eu não perco de jeito nenhum, porque a ideia é tão ridícula que parece um épico italiano daqueles que eu assistia na infância: “O Filho de Maciste”, “O Neto de Sansão”, “Hércules e o Jesus Júnior contra o Gigante Golias”. Todos feitos na Cinecittá com pedras de isopor e espadas de papelão.

Por falar em Joaquin Phoenix, ele está em “Coringa: Folie a Deux”, que tem Lady Gaga como Arlequina. Gosto muito do primeiro filme especialmente pela discussão que provocou na minha bolha. A ira do Coringa contra o sistema é legítima, logo de esquerda, ou ilegítima, portanto, de direita? Sim, eu sei, minha bolha é esquisitona, desculpe. Mas curti o primeiro filme e a ideia de transformar o segundo num musical, como propõe o Todd Phillips, pode ser inovadora. A ver.

Também dou o benefício da dúvida para “Furiosa”, prólogo (mais um!) de “Mad Max: Estrada da Fúria”. Aos 78 anos, o diretor George Miller tem muito mais vitalidade do que três millenials. A cada “Mad Max”, ele se superou, mas a produção de 2015 é um mix que parecia impossível entre filme de arte e filme de ação. Já vi, revi e quero mais. Além disso, “Furiosa” tem a Anya-Taylor Joy no papel título, que já vale o preço do ingresso.

Boa volta em torno no sol.

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