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Biblioteca Nacional amplia acervo digital de O Pasquim com edições regionais históricas

Redação Culturize-se

A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) ampliou o acervo digital de um dos jornais mais emblemáticos da história da imprensa brasileira. Após disponibilizar integralmente as 1.072 edições da versão original de O Pasquim, a Biblioteca Nacional Digital (BNDigital) passa a oferecer também 114 exemplares de duas franquias regionais históricas do periódico: O Pasquim São Paulo e O Pasquim Rio Grande do Sul.

Criado no fim da década de 1960 pelo cartunista Jaguar e pelos jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral, O Pasquim tornou-se um dos principais símbolos do jornalismo alternativo durante a ditadura militar brasileira. Com humor ácido, críticas políticas e uma linguagem inovadora, o semanário reuniu colaboradores como Ziraldo, Henfil, Millôr Fernandes, Ivan Lessa e Ruy Castro, consolidando-se como uma referência cultural e jornalística.

A inclusão das edições regionais ocorre em um momento simbólico: 2026 marca os 40 anos do lançamento dessas iniciativas fora da sede original do jornal, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, foram publicadas 56 edições semanais sob a coordenação dos jornalistas Paulo Markun e Manoel Canabarro, com apoio de Dante Matiussi. Para Markun, a digitalização preserva uma experiência relevante da história da imprensa paulista. Segundo ele, representar uma marca tão importante foi um grande desafio, mas o projeto deixou um legado significativo para o jornalismo brasileiro.

No Rio Grande do Sul, a edição regional foi liderada pelo jornalista Flávio Braga e alcançou 60 números semanais. O acervo digital reúne 58 dessas publicações, com exceção das edições 18 e 39, que ainda não foram localizadas. Braga recorda que a oportunidade de criar uma versão regional daquele que considera o mais importante jornal satírico do país representou a realização de um sonho profissional e uma experiência marcante de atuação jornalística e cultural.

Foto: Divulgação

A ampliação do acervo é resultado de um trabalho voluntário de curadoria conduzido por Fernando Coelho dos Santos, responsável desde 2019 pelo projeto de digitalização de O Pasquim. Nesta nova etapa, ele contou com a colaboração de Gualberto Costa e Vinicius Martins.

Além das edições históricas, a plataforma oferece uma seção de memórias com relatos e documentos sobre a trajetória do jornal, incluindo contribuições de personalidades como Chico Buarque, Rubem Fonseca, Odete Lara e Paulo Francis. A iniciativa reforça o compromisso de preservar e democratizar o acesso a documentos fundamentais da história da cultura e da imprensa brasileiras.

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