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Museu das Amazônias reabre em Belém com exposição permanente sobre a diversidade da região

Redação Culturize-se

O Museu das Amazônias (MAZ) reabriu as portas ao público, na quarta-feira (4), no Complexo Porto Futuro, em Belém. Os espaços internos ficaram fechados por um período para a montagem de novas exposições, que agora ocupam o térreo e o mezanino. Os ingressos são gratuitos.

No térreo, o visitante encontra a exposição permanente “Amazônias no Plural”. Do surgimento geológico da região aos saberes e tecnologias dos povos tradicionais, a mostra aborda migrações, modos de vida, cultura alimentar e manifestações artísticas. O percurso inclui ainda um memorial aos defensores da Amazônia, como a irmã Dorothy Stang, o jornalista Dom Phillips, o indigenista Bruno Pereira e Dom José Luis Azcona. Projeções, sons, texturas e recursos interativos sustentam a ideia central da exposição: não existe uma só maneira de contar as Amazônias.

A curadoria é dividida entre a bióloga e doutora em ecologia Joice Ferreira, a arqueóloga Helena Lima e a antropóloga indígena Francy Baniwa. Para Joice, a mostra permite ao público “mergulhar no universo amazônico ao longo do tempo” em uma experiência imersiva. Helena Lima espera que os visitantes “se encontrem, se reconheçam” no espaço, fruto de “muito diálogo, de muita escuta, de muita pesquisa”. Segundo ela, após dois anos de trabalho coletivo, a exposição chega como um presente para Belém.

No mezanino está a mostra temporária “Água, Pantanal, Fogo”, que aproxima arte e ciência e propõe uma reflexão sobre a crise climática no Pantanal, bioma vizinho da Amazônia, e seus efeitos sobre a maior floresta tropical do mundo. As fotografias de Luciano Candisani retratam a força das águas, essenciais à vida na maior planície inundável do planeta. As imagens de Lalo de Almeida registram o impacto dos incêndios de 2020 e 2024. Entre o encanto e a indignação, a exposição discute a escassez hídrica, o fogo e as ameaças à fauna e à flora pantaneiras, além de convidar o público a pensar nas conexões entre os biomas.

Foto: Renato Mangolin

Para a gerente técnica do MAZ, Camila Costa, a reabertura proporciona um reencontro que amplia as possibilidades de conhecer e pensar a região. “A exposição permanente reúne diferentes saberes, experiências e vozes sobre a Amazônia, enquanto a temporária nos faz refletir sobre a relação da Amazônia com outros biomas. Queremos que cada pessoa encontre aqui espaço para descobrir, se reconhecer e participar dessa conversa”, afirma.

Inaugurado em 2 de outubro de 2025, o museu integra o conjunto de obras do Governo do Pará preparatórias para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30). Nasceu com a missão de valorizar a identidade e a diversidade de vozes e saberes do maior bioma tropical do planeta. Na abertura, exibiu a mostra internacional “Amazônia”, do fotógrafo Sebastião Salgado, no térreo, e “Ajurí”, concebida exclusivamente para o museu, no mezanino.

O equipamento tem dois grandes espaços expositivos, de 950 m² e 500 m², além de loja, sala educativa de 77 m² e uma sala multiuso com estrutura modular, recursos multimídia e capacidade para 130 pessoas sentadas. O projeto contou com parceria técnica e apoio financeiro não reembolsável de R$ 10 milhões do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que também colaborou no plano museológico e no modelo de gestão do museu.

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