Redação Culturize-se
A celebração dos dez anos do Museu do Amanhã ganha um registro editorial ambicioso com o lançamento de “Dez anos de amanhãs”, obra que revisita a trajetória da instituição e amplia o debate sobre seu papel na articulação entre ciência, cultura e sustentabilidade. Organizado por Charles Cosac e publicado pela editora Cosac, o livro se apresenta como uma síntese crítica de uma década marcada pela consolidação do museu como referência internacional.
Com mais de 500 páginas, a publicação reúne diferentes perspectivas, históricas, científicas e curatoriais, para reconstruir não apenas o percurso institucional, mas também sua inserção no contexto urbano e social do Rio de Janeiro. A obra destaca, por exemplo, a relação do museu com a região da Pequena África, articulando memória e território em uma narrativa que ultrapassa os limites físicos do edifício.
Entre os colaboradores estão pesquisadores e curadores como Sheila de Castro Faria e Fabio Scarano, além de entrevistas com nomes centrais na concepção do projeto. O arquiteto Santiago Calatrava, responsável pelo desenho do museu, o gestor cultural Ricardo Piquet e o curador Luiz Alberto Oliveira oferecem depoimentos que ajudam a compreender os bastidores e as decisões que moldaram a instituição desde sua origem.

A publicação também investe em uma dimensão visual significativa. Um ensaio fotográfico assinado por Thales Leite, aliado a mapas, ilustrações e uma linha do tempo detalhada, constrói uma leitura estética das transformações da Baía de Guanabara ao longo dos séculos. Essa abordagem reforça a proposta do livro de conectar passado, presente e futuro, abordando temas como mudanças climáticas, limites ambientais e urbanização.
“Dez anos de amanhãs” funciona como ferramenta de interpretação do próprio país. Ao explorar as tensões entre desenvolvimento e sustentabilidade, memória e inovação, a obra ecoa a vocação do Museu do Amanhã de formular perguntas sobre o tempo presente e os cenários possíveis para o futuro.
Nesse sentido, o livro consolida-se como um documento relevante não apenas para o campo museológico, mas também para leitores interessados em compreender as transformações contemporâneas sob uma perspectiva interdisciplinar.