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Novo projeto de Brady Corbet amplia escala e ambição autoral

Reinaldo Glioche

Após o triunfo crítico de “O Brutalista”, o cineasta Brady Corbet prepara um novo projeto igualmente ambicioso — sinalizando tanto uma expansão temática quanto a continuidade de seu compromisso com narrativas de grande escala. Durante participação no Storyhouse, festival de roteiro em Dublin, Corbet revelou que seu próximo filme explorará o “misticismo americano” e as raízes históricas de sistemas de crença ocultistas nos Estados Unidos.

O diretor descreveu um processo de pesquisa intensivo, incluindo colaboração com Mitch Horowitz, estudioso das tradições esotéricas no país. Segundo Corbet, o projeto investiga como essas estruturas de crença migraram e evoluíram ao longo do tempo, sugerindo uma narrativa que combina investigação histórica com dimensões filosóficas e possivelmente metafísicas.

Se o tema aponta para uma direção mais abstrata, a escala de produção permanece alinhada com seus trabalhos anteriores. O roteiro já conta com cerca de 200 páginas, e o diretor confirmou uma filmagem de 50 dias — dividida em dois blocos de 25. Considerando que “O Brutalista” ultrapassou três horas e meia de duração com um roteiro menor, o novo filme pode novamente resultar em um longa de grande extensão. O próprio Corbet reconheceu o desafio, afirmando que “prestará contas” após a produção, em alusão à complexidade logística do projeto.

Há também indícios iniciais — ainda não confirmados — de que Selena Gomez pode integrar o elenco do filme, supostamente intitulado “The Origin of the World”. Embora não haja anúncio oficial, a possibilidade reforça o potencial do projeto de combinar cinema autoral com nomes de forte apelo popular.

O cineasta no set de “O Brutalista” | Foto: Divulgação

Além dos detalhes de produção, Corbet aproveitou sua participação em Dublin para refletir sobre o estado atual do cinema contemporâneo. Ele argumentou que a indústria se tornou “cada vez menos arriscada” na última década, atribuindo essa mudança aos efeitos da crise financeira de 2008, à concentração de poder nos grandes conglomerados de mídia e à ascensão das plataformas de streaming. Na sua avaliação, esses fatores incentivaram decisões criativas mais seguras, limitando o tipo de ousadia que antes caracterizava tanto o cinema comercial quanto o de autor.

Ainda assim, Corbet evitou um pessimismo absoluto. Ele sugeriu que o “pêndulo” pode já estar se movendo de volta, apontando para obras recentes que recuperam um senso de ousadia artística. Como exemplo, elogiou “Pillion”, estreia de Harry Lighton, que, segundo ele, remete a uma era mais audaciosa do cinema.

A própria trajetória de Corbet parece alinhada a esse espírito. Sua insistência em longas durações, roteiros densos e temas intelectualmente ambiciosos o posiciona como um cineasta que resiste às limitações industriais. Se “O Brutalista” o consolidou como uma voz relevante do cinema contemporâneo, seu próximo projeto indica uma tentativa de levar essa autoria ainda mais longe; para um território em que história, crença e forma cinematográfica se encontram em escala grandiosa.

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