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EAD ultrapassa 50% das matrículas no ensino superior, mas evasão de 41,6% expõe crise de permanência

Redação Culturize-se

O ensino superior brasileiro ultrapassou pela primeira vez a marca de 10 milhões de estudantes em 2024, segundo o Inep. O marco, porém, vem acompanhado de um dado alarmante: a educação a distância (EAD) passou a representar 50,7% das matrículas de graduação no país, enquanto a evasão nos cursos nessa modalidade chegou a 41,6% no mesmo ano, de acordo com o Mapa do Ensino Superior 2026, do Instituto Semesp.

Para Tiago Zanolla, professor com mais de 15 anos de atuação e fundador da UFEM Educacional, os números indicam que o setor venceu parte da barreira de entrada, mas ainda precisa resolver a permanência do aluno. “A grande fronteira da educação brasileira não será só colocar mais gente dentro da plataforma ou da sala de aula. Será fazer com que essas pessoas permaneçam, aprendam e consigam usar esse conhecimento no trabalho e na vida”, afirma.

O novo perfil de estudante, especialmente entre jovens da Geração Z, passou a cobrar formações mais objetivas, flexíveis e conectadas à rotina profissional. A decisão por um curso agora considera tempo disponível, custo total, possibilidade de estudar sem deslocamento, retorno para a carreira e clareza sobre a aplicação do conteúdo. “No comportamento da Geração Z, o problema não é o estudo, mas a sensação de investir tempo em conteúdos sem conexão com a vida prática. Para esse aluno, precisa estar claro por que aquela disciplina importa, onde ela será aplicada e de que forma pode ampliar sua empregabilidade”, diz Zanolla.

Foto: Pexels

A transformação ocorre no mesmo momento em que o mercado de trabalho exige atualização mais rápida. Pesquisa global da Deloitte com jovens da Geração Z e millennials, divulgada em 2026, mostra que 74% dos entrevistados já usam inteligência artificial em algum grau no dia a dia profissional. O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 39% das habilidades essenciais dos trabalhadores devem mudar até 2030.

Para Zanolla, a escolha entre EAD e presencial exige critério. Pessoas com autonomia, rotina apertada e disciplina tendem a se beneficiar mais do ensino a distância. Já estudantes que precisam de convivência diária ou prática supervisionada frequente podem encontrar no presencial ambiente mais adequado. “Não existe uma modalidade melhor para todo mundo. Existe a modalidade mais compatível com a rotina, o objetivo e o grau de autonomia de cada estudante. O erro é escolher apenas pelo preço ou pela promessa de facilidade”, alerta.

O especialista recomenda transformar liberdade em método: horários fixos, metas por disciplina, revisões curtas e acompanhamento da evolução. Ferramentas de inteligência artificial podem apoiar o estudo, mas não substituem disciplina nem orientação pedagógica. Para as instituições, o alerta é duplo: econômico e educacional. A evasão impacta reputação, previsibilidade de receita e percepção de qualidade. “O conteúdo precisa continuar sério, mas não precisa ser distante. A educação que conseguir unir rigor, aplicabilidade e boa experiência terá mais chance de manter o aluno até o fim”, conclui.

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