Redação Culturize-se
Em meio às celebrações de seus 50 anos de carreira, Djavan recebe uma homenagem que transcende os palcos. O livro “Djavan – dizem que o amor atrai”, de Tiago Ramos e Mattos, chega aos leitores como convite para mergulhar na trajetória, memórias e detalhes de um artista que soube “djavanear” a própria existência — transformando sentimentos, afetos e observações do cotidiano em melodias que atravessam gerações.
A obra percorre diferentes fases do “jardim da vida” do músico, desde a infância em Maceió até a consagração nacional e internacional. O autor destaca a influência decisiva de Dona Virgínia, mãe do artista, e mostra como as origens alagoanas, a ancestralidade africana e a relação íntima com a natureza contribuíram para a criação de uma identidade sonora única. Essas fontes alimentaram uma arte singular e a capacidade de traduzir o amor, nas palavras do próprio Djavan, “como quem conversa baixinho com a alma”.
O livro abre com uma definição poética do que significa cantar para o artista: “Cantar é tirar o que está ‘guardado dentro’ e dar-se para doar um universo encantado. É preciso dividir para resistir. A arte de cantar é, assim, extravasar o que o coração não comporta. Para Djavan, é ponte, não monólogo (…) É mérito que move o dom e anima as almas.”

Entre as histórias resgatadas estão momentos fundamentais da carreira do músico. Aos 16 anos, ele deixou o sonho de ser jogador de futebol para seguir a música, descobrindo o violão como instrumento de expressão. A chegada ao Rio de Janeiro marcou o início de uma trajetória que o levaria a se tornar um dos maiores nomes da MPB. Para construir esse retrato, o escritor conversou com familiares de Djavan — sobrinho, esposa e sobrinha-neta — e revisitou lugares importantes da infância em Maceió, trazendo novas perspectivas sobre sua formação e vínculos afetivos.
A publicação traz revelações sobre episódios conhecidos pelos fãs. O verdadeiro significado por trás de “Flor de Lis”, um de seus maiores clássicos, é desvendado. O livro conta ainda a história de uma colaboração que quase aconteceu com Michael Jackson, detalha músicas censuradas durante a ditadura militar e apresenta composições inéditas do artista.
Ao revisitar cinco décadas de dedicação à música popular brasileira, o autor constrói um retrato de um artista em constante movimento criativo, na busca pelo “esplendor em si”. Entre alegrias, perdas, preconceitos enfrentados, paixões, família, posicionamentos políticos e reinvenções constantes, “Djavan – dizem que o amor atrai” emerge como um retrato íntimo de um homem que transformou suas próprias vicissitudes em beleza. Um mergulho sensível na vida de quem aprendeu a fazer da música não apenas uma arte, mas uma forma luminosa de existir.