Redação Culturize-se
O Festival FALA encerrou sua sétima edição em Salvador reafirmando uma proposta que combina comunicação, cultura, arte e mobilização social a partir das experiências de pessoas negras e de diferentes territórios brasileiros. Realizado entre 20 e 22 de agosto, o evento reuniu cerca de 300 pessoas em mesas, rodas de conversa, atividades audiovisuais e apresentações artísticas dedicadas aos desafios contemporâneos do jornalismo e da comunicação de causas.
Com o tema “Comunicação que atravessa o tempo e as telas”, o festival retornou à capital baiana, cidade onde nasceu. Participantes de São Paulo, Pernambuco, Santa Catarina e Rio de Janeiro, além de municípios baianos como Vitória da Conquista e Cachoeira, integraram a programação.
As discussões partiram de questões centrais para a produção de informação no país: quem pode produzir narrativas, quais histórias permanecem invisibilizadas e de que maneira novas tecnologias podem dialogar com conhecimentos e práticas construídos historicamente pelas comunidades.

O pensamento do geógrafo Milton Santos e a obra “Imaginários Emergentes e Mulheres Negras”, da pesquisadora Rosane Borges, serviram de referência para debates sobre território, visibilidade, produção de conhecimento e protagonismo das mulheres negras na construção dos imaginários sobre o Brasil.
A relação entre tecnologias ancestrais e digitais também esteve no centro da programação. Em vez de restringir a ideia de inovação às ferramentas contemporâneas, o FALA propôs reconhecer saberes desenvolvidos por populações negras, indígenas e periféricas ao longo da história.
A memória ganhou espaço com homenagens a Milton Santos e à educadora Ana Célia da Silva. O festival também prestou tributo ao Movimento Negro Unificado (MNU), à União de Negros pela Igualdade (Unegro) e ao legado de Mãe Hilda Jitolu, conectando essas trajetórias aos desafios atuais da população negra.
A arte acompanhou as discussões durante os três dias, com oito apresentações. O audiovisual esteve presente no Cine FALA!, que exibiu produções de coletivos vencedores do Edital FALA! 2026.
Para Antonio Junião, diretor do festival, o encontro entre diferentes gerações e territórios é parte essencial da proposta. “Mais do que realizar uma programação, queremos criar conexões que continuem existindo depois do festival”, afirmou.
O alcance também ultrapassou Salvador. Entre 25 de julho e 25 de agosto, os conteúdos do FALA somaram mais de 379 mil visualizações, com usuários no Brasil e em países como Portugal, Colômbia, Itália e Estados Unidos.
Como continuidade, o Instituto FALA prepara uma nova edição do Edital FALA!, voltada a grupos de mídia independente, coletivos de comunicação popular, jornalismo local e iniciativas culturais de Salvador e região. As inscrições serão divulgadas em breve.