Redação Culturize-se
O avanço da inteligência artificial generativa começa a abrir uma nova frente de disputa no mercado publicitário. Desde o lançamento do ChatGPT, em 2022, a ferramenta modificou hábitos de busca, produção de conteúdo e consumo de informação. Agora, com o ChatGPT Ads, a OpenAI pretende levar a publicidade para dentro das interações com a inteligência artificial e disputar espaço com plataformas consolidadas, como Google e Meta.
Um estudo da Sanchez, agência especializada em marketing imobiliário e inteligência de dados, avalia, porém, que a nova plataforma ainda está distante de representar uma ameaça direta aos gigantes da publicidade digital. Segundo Rafael Sanches, CEO da empresa, o principal obstáculo está na diferença entre a intenção de obter uma resposta e a disposição para realizar uma compra.
A análise aponta que o modelo se aproxima das campanhas de pesquisa ao relacionar anúncios às perguntas feitas pelos usuários. A experiência, contudo, é diferente. Enquanto buscadores tradicionais apresentam uma variedade de resultados e anúncios, ferramentas de IA são desenhadas para entregar respostas objetivas e personalizadas. Nesse ambiente, elementos promocionais podem disputar menos atenção.
O estudo cita a chamada “cegueira por desatenção”, fenômeno no qual usuários deixam de perceber elementos publicitários considerados pouco relevantes ou intrusivos. Para Sanches, interromper a busca por uma solução imediata pode transformar o anúncio em ruído, reduzindo seu potencial de conversão.
Outro desafio apontado é o custo. De acordo com a análise, a plataforma ainda exige investimentos superiores aos de canais consolidados, como Google Ads e Meta Ads, sem apresentar evidências robustas de desempenho em larga escala.
A recomendação, portanto, é tratar o ChatGPT Ads inicialmente como canal complementar, sobretudo em estratégias de awareness e posicionamento de marca, e não como substituto das ferramentas tradicionais de geração de demanda.

O estudo também destaca as limitações atuais da IA generativa, incluindo as chamadas “alucinações”, quando sistemas produzem informações incorretas ou fora de contexto. Para a Sanchez, a consolidação da publicidade em ambientes de IA dependerá da capacidade de combinar relevância, contexto e respeito à jornada do consumidor.
Nesse cenário, o ChatGPT Ads surge como uma experiência relevante para o futuro da publicidade digital, mas ainda terá de transformar inovação tecnológica em métricas concretas de conversão, geração de leads e retorno sobre investimento.