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Brasileiro vê mais filmes em casa do que nas salas, e a renda ainda decide o ingresso

Redação Culturize-se

O streaming consolidou-se como a principal sala de cinema do brasileiro. Segundo a sétima edição da pesquisa Hábitos Culturais, 76% dos entrevistados assistiram a filmes em plataformas digitais nos últimos 12 meses, e 73% acompanharam séries online. Na edição anterior, os índices eram de 74% e 70%. Já a ida às salas ficou em 39%, patamar próximo ao registrado em levantamentos recentes.

O estudo, realizado pelo Observatório Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha e divulgado na quarta-feira (14), expõe também o abismo social em torno da experiência do cinema. Entre as classes A e B, 63% foram às salas no período. Nas classes D e E, o índice cai para 18%. É a maior distância entre as atividades presenciais detalhadas pelos pesquisadores. No teatro, as taxas são de 41% e 17%; nos museus, de 35% e 14%.

Fora das telas, porém, o cenário é de retomada. Entre os 2.448 entrevistados, de 16 a 65 anos, em 137 municípios, 88% fizeram ao menos uma atividade cultural presencial, contra 84% em 2025. Os shows lideram o avanço: passaram de 45% para 51%. Centros culturais subiram de 26% para 32%, museus de 16% para 21% e exposições de arte de 27% para 31%. Eventos ao ar livre atraíram 63%, e festas populares e folclóricas, 45%.

Pela primeira vez, o levantamento incluiu pontos de cultura e espaços comunitários (38%), rodas de samba, pagode ou choro (30%) e bailes funk (9%). A ampliação ajuda a captar práticas que escapam dos equipamentos tradicionais. Segundo a pesquisa, 33% dizem não haver equipamentos culturais perto de casa, mas 40% realizaram atividades no próprio bairro, e 72% participariam de mais programações se elas ocorressem nas escolas da região.

No consumo doméstico, ouvir música online lidera, com 85%. Novelas e podcasts aparecem empatados, com 56%. A leitura de livros impressos foi citada por 54% e a de livros digitais, por 38%. Jogos eletrônicos alcançaram 43%.

Imagem gerada por IA

Os obstáculos continuam os mesmos. O custo é o principal impedimento, apontado por 35%, seguido pela insegurança e violência, com 30%, falta de tempo (23%) e cansaço ou desânimo (21%). Entre os que citam insegurança, 47% temem assaltos ou furtos. A preocupação com violência contra mulheres e assédio em espaços culturais subiu de 21% para 27%, sendo mais intensa entre elas (38%) do que entre eles (14%).

A desigualdade atravessa todos os recortes: 97% das classes A e B realizaram atividades presenciais, ante 82% das D e E. A pesquisa também mediu, pela primeira vez, o conhecimento sobre direitos culturais. Para 68%, o acesso à cultura é garantido pela Constituição, e 42% apontam programas gratuitos como prioridade dos próximos governantes.

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