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Gloriosamente selvagem, Kaleo desafia o rock pasteurizado com "Mixed Emotions"

Redação Culturize-se

Os islandeses do Kaleo nunca seguiram regras. Em seu quarto álbum, “Mixed Emotions”, eles canalizam os fantasmas do grunge de Seattle, do blues do Delta e da rebeldia punk em um som que soa ao mesmo tempo atemporal e urgente. Liderados pelo vocalista JJ Julius Son — e seu rugido envolto em cascalho —, a banda entrega um trabalho tão emocionalmente intenso quanto sonoramente explosivo.

Coproduzido por JJ Julius Son, Eddie Spear (Zach Bryan) e Shawn Everett (The Killers), “Mixed Emotions” faz jus ao nome — oscilando entre energia desenfreada e vulnerabilidade dilacerante. “O tema é navegar pelos altos e baixos da vida”, explica JJ. “Não gosto de me limitar a um só gênero.” Essa liberdade transparece em faixas como “Back Door”, um hino blues-punk que os fãs clamavam desde suas apresentações ao vivo, e “USA Today”, uma crítica incendiária à violência armada nos EUA sob o olhar de um estrangeiro.

Uma montanha-russa sonora

O álbum abre com “Run No More”, um blues soturno que explode em um crescendo com coro gospel, enquanto “Bloodline” captura a fúria crua do Nirvana, com distorções à la Cobain. Mas o Kaleo não é só fogo — “Lonely Cowboy” reduz a marcha com guitarras de slide e vocais embuçados, e “The Good Die Young” expõe o falseto fantasmagórico de JJ sobre um piano minimalista.

Já “Rock N Roller” é um turbilhão inspirado no The Sonics — pura e simples diversão. “Rock tem que ser alto, bagunçado e vivo”, parece gritar a música. E o Kaleo entrega.

Depois de 4 bilhões de streams, indicações ao Grammy e turnês mundiais esgotadas, o Kaleo poderia ter optado pelo seguro. Em vez disso, cavou mais fundo. A ambição progressiva de “Legacy” e a canção de ninar islandesa “Sofðu Unga Ástin Mín” — que termina em um final de guitarra ardente — provam que essa banda não conhece fronteiras.

Como diz o produtor Eddie Spear: “JJ se arrastou até a beira da destruição por esses vocais.” Essa dedicação impregna cada nota, moldando “Mixed Emotions” em um grito de guerra. E num mundo de rock pasteurizado, o Kaleo permanece gloriosamente selvagem.

Foto: Reprodução/Internet

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