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Aborto como violência institucional move "Ainda Não é Amanhã"

Por Reinaldo Glioche

“Ainda Não é Amanhã”, primeiro longa-metragem da pernambucana Milena Times, é o próximo título a integrar o CIRCUITO EMBAÚBA, iniciativa que leva lançamentos da distribuidora Embaúba a cineclubes, universidades, escolas e salas independentes em todo o país. O projeto busca ampliar o acesso ao cinema brasileiro, promovendo sessões acompanhadas de debates e oferecendo material de apoio para mediação das conversas.

O filme acompanha Janaína (Mayara Santos), jovem negra de 18 anos, criada pela mãe (Clau Barros) e pela avó (Cláudia Conceição) em um conjunto habitacional da periferia do Recife. Bolsista de Direito, ela está prestes a se tornar a primeira da família a obter um diploma universitário. Mas seus planos entram em suspenso ao descobrir que está grávida. A partir desse ponto, o longa mergulha nos conflitos íntimos da personagem, revelando como uma decisão pessoal se entrelaça com questões estruturais de gênero, raça e classe.

A narrativa se constrói de maneira intimista, mostrando o cotidiano de Janaína e as relações com sua família, seu namorado (Mário Victor) e sua melhor amiga Kelly (Bárbara Vitória, premiada no Fest Aruanda). A gravidez indesejada, em um país que criminaliza o aborto, é o ponto central de uma trama que denuncia a violência institucional e o silenciamento impostos às mulheres, sobretudo às mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, o filme aponta caminhos de solidariedade e escuta mútua entre as personagens.

Times rejeita o espetáculo e prefere aposta no minimalismo das atuações para dar peso a sua história, que não se distingue de tantas outras que versam sobre o mesmo tema, mas se assenta em qualidades fundamentais do bom cinema, inclusive um olhar generoso para com seus personagens.

Foto: Divulgação

O roteiro do longa começou a ser desenvolvido em 2016, passou por laboratórios como o BrLab e o Cabíria Lab, e foi finalista do Prêmio Cabíria. Ao longo dos anos, foi moldado pelas transformações políticas no país, tornando-se, nas palavras da diretora, ainda mais urgente: “Ao invés de avançar, vemos direitos ameaçados. Falar sobre isso é essencial.”

A atmosfera sensível do filme é reforçada pela direção de arte de Lia Letícia e pela fotografia de Linga Acácio, ambas também premiadas no Fest Aruanda. O desenho de som, assinado por Martha Suzana e Nicolau Domingues, combina naturalismo com sensorialidade, espelhando a angústia da protagonista.

“Ainda Não é Amanhã” permeia um debate importante, refém de polarizações refratárias, e se assevera como válvula de reflexão. Nada mais adequado ao perfil do CIRCUITO EMBAÚBA.

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