Redação Culturize-se
Durante boa parte da última década, Luke Grimes foi identificado principalmente como Kayce Dutton, o filho mais jovem da poderosa família retratada em “Yellowstone”. No entanto, os últimos anos consolidaram uma transformação importante em sua trajetória artística. Ao mesmo tempo em que se tornou protagonista de uma das franquias mais lucrativas da televisão americana, Grimes construiu uma carreira musical respeitada dentro do country contemporâneo e agora colhe os frutos de sua atuação em duas frentes.
Essa expansão ganhou novo impulso em 2026. Na televisão, o ator assumiu o protagonismo de “Marshals”, derivado direto do universo de “Yellowstone”. Na música, lançou “Redbird”, seu segundo álbum de estúdio, consolidando uma identidade artística que vai além da fama conquistada nas telas.
Nascido em Ohio, Grimes iniciou sua carreira como ator em Hollywood, participando de produções como “Sniper Americano” (2014) e “50 Tons de Cinza” (2015). Foi, porém, em “Yellowstone” que encontrou o papel que mudaria sua trajetória. Interpretando Kayce Dutton desde a estreia da série em 2018, ele ajudou a transformar a produção criada por Taylor Sheridan em um fenômeno cultural, especialmente entre o público do interior dos Estados Unidos.
O sucesso abriu caminho para “Marshals”, série lançada em março pela CBS. A produção acompanha Kayce após os acontecimentos de “Yellowstone”, agora integrando uma unidade especializada dos U.S. Marshals. O personagem combina sua experiência como ex-integrante da Marinha americana e sua vivência como cowboy para enfrentar o crime em Montana.

A aposta da emissora se mostrou acertada. O episódio de estreia alcançou 9,52 milhões de espectadores, tornando-se a maior estreia de uma série roteirizada sem ajuda de transmissões esportivas desde 2018. Em apenas uma semana, o público multiplataforma chegou a 20,6 milhões de espectadores, resultado que levou à renovação antecipada para uma segunda temporada.
Os números transformaram “Marshals” em um dos lançamentos televisivos mais comentados do ano nos Estados Unidos e confirmaram Grimes como uma das principais figuras do universo expandido de “Yellowstone”.
Paralelamente à carreira na televisão, o ator desenvolveu uma relação cada vez mais séria com a música country. Diferentemente de muitos artistas que utilizam a música apenas como extensão da popularidade conquistada em outras áreas, Grimes buscou construir um repertório autoral e uma identidade própria.
Seu álbum de estreia e o sucesso da faixa “No Horse to Ride” ajudaram a impulsionar seu catálogo para mais de 200 milhões de reproduções globais. O desempenho chamou a atenção da indústria musical e consolidou seu nome entre os artistas emergentes do country contemporâneo.
Essa trajetória ganha novo capítulo com “Redbird”. Produzido por Dave Cobb — responsável por trabalhos com nomes importantes do country e do rock americano —, o disco foi gravado em Savannah e Nashville e apresenta dez faixas marcadas por uma abordagem intimista.
Grimes participou ativamente da composição da maior parte do repertório, além de contribuir instrumentalmente com violão, percussão e bateria. O álbum aborda temas recorrentes da música americana tradicional, como amor, fé, arrependimento e resiliência, mas evita os excessos de produção comuns no country comercial contemporâneo.

Canções como “Drink Drink Drink” e “Haunted” exploram dúvidas pessoais e processos de autoconhecimento. Já “Without You”, “A Little More Time” e “Love You Now” refletem sobre perdas, relacionamentos duradouros e a importância de viver o presente.
O próprio artista descreveu a criação do álbum como uma experiência catártica. Segundo ele, algumas emoções simplesmente não conseguem ser expressas apenas por meio da fala, tornando a música uma necessidade criativa.
O resultado é um trabalho que reforça uma característica presente tanto em sua atuação quanto em suas composições: a preferência por personagens e histórias marcadas pela vulnerabilidade. Seja interpretando um homem dividido entre família e dever em “Yellowstone” e “Marshals”, seja cantando sobre amor e arrependimento em “Redbird”, Grimes construiu uma imagem artística baseada na autenticidade emocional.