Reinaldo Glioche
Em um mercado de streaming cada vez mais competitivo, dominado por gigantes como Netflix, Disney+, HBO Max e Prime Video, o MGM+ busca consolidar sua identidade apostando em um modelo que combina franquias consagradas, séries originais e produções voltadas para públicos específicos. Ainda pouco conhecido por parte dos assinantes brasileiros, o serviço da Metro-Goldwyn-Mayer (que há cinco anos integra o ecossistema da Amazon) vem ampliando seu catálogo e reforçando sua estratégia de expansão internacional, incluindo o mercado brasileiro.
No Brasil, o MGM+ está disponível como canal adicional dentro do Prime Video, com assinatura mensal de R$ 19,90. A plataforma reúne títulos do extenso acervo da MGM e investe em produções exclusivas que procuram ocupar nichos frequentemente deixados em segundo plano por concorrentes focados em grandes sucessos globais.
O movimento ocorre em um momento de transformação da indústria do streaming. Após anos marcados pela expansão acelerada e pela busca incessante por novos assinantes, as plataformas passaram a priorizar retenção de público e diferenciação de catálogo. Nesse contexto, o MGM+ procura construir sua relevância por meio de séries de prestígio e de propriedades intelectuais reconhecidas.
Entre os destaques recentes está “A Dama”, série baseada na trajetória real de Jane Andrews, ex-estilista da família real britânica que viu sua vida mudar drasticamente após ser acusada de homicídio. A produção estreou na semana passada e reforça uma tendência crescente do serviço: investir em dramas inspirados em fatos reais.
Outra aposta importante é “Donos do Oeste”, que chega em julho. Criada por Chris Brancato, um dos responsáveis por “Narcos”, a série acompanha a atuação de uma violenta gangue irlandesa em Nova York e conta com a presença do vencedor do Oscar J.K. Simmons no elenco.
O catálogo recente também inclui “Vanished”, thriller estrelado por Kaley Cuoco; “Clássico Americano”, comédia drmática protagonizada por Kevin Kline e Laura Linney; e “O Artista”, mistura de mistério e assassinato ambientada na chamada Era Dourada dos Estados Unidos. Essas produções ajudam a consolidar uma marca que privilegia narrativas adultas, dramas históricos e suspense criminal.
Ao mesmo tempo, o MGM+ mantém em destaque algumas de suas franquias mais valiosas. A série “Billy the Kid” tornou-se um dos principais sucessos da plataforma ao revisitar a trajetória do lendário fora da lei do Velho Oeste. Já o universo “Power”, produzido por Curtis “50 Cent” Jackson, continua atraindo espectadores com suas múltiplas séries derivadas centradas no crime organizado.
Outra propriedade estratégica é “Spartacus”. Mais de uma década após o encerramento da série original, a franquia ganhou novo fôlego com “Spartacus: House of Ashur”, spin-off que expande um dos universos mais populares da televisão a cabo da década passada.
O serviço também tem apostado em adaptações literárias de grande apelo. Um dos exemplos é “O Instituto”, baseada no romance de Stephen King. A série acompanha um grupo de crianças com habilidades psíquicas mantidas em uma instalação secreta e se tornou uma das produções mais comentadas da plataforma desde sua estreia.
Além das séries, o MGM+ busca aumentar sua relevância por meio de lançamentos cinematográficos. Um dos títulos mais aguardados associados ao estúdio é “Devorador de Estrelas”, adaptação do romance de Andy Weir, autor de “Perdido em Marte”. Estrelado por Ryan Gosling, o filme chega ao catálogo depois de fazer sucesso nos cinemas.

Embora ainda esteja distante da escala de seus principais concorrentes, o MGM+ parece apostar em uma estratégia de especialização. Em vez de competir diretamente pelo maior volume de conteúdo, a plataforma busca oferecer um catálogo curado, com forte presença de dramas, thrillers, faroestes e adaptações literárias.
Para o público brasileiro, essa abordagem pode representar uma alternativa interessante em um cenário marcado pela fragmentação das assinaturas. Com novos títulos chegando regularmente e investimentos contínuos em produções originais, o MGM+ trabalha para deixar de ser apenas um complemento dentro do Prime Video e se tornar uma marca reconhecida por sua própria programação.