Reinaldo Glioche
Oito entidades do audiovisual brasileiro lançaram a Bancada da Pipoca, iniciativa apartidária que certifica candidaturas à Presidência, ao Senado e à Câmara dos Deputados comprometidas com uma agenda de políticas públicas para o cinema e o audiovisual. Quem adere assina os compromissos, recebe um selo oficial e passa a integrar uma plataforma pública de consulta, disponível no site bancadadapipoca.com.br.
A proposta é fazer com que o setor deixe de depender de ações pontuais de governo e passe a contar com uma política de Estado, com planejamento de longo prazo e continuidade. Segundo as entidades organizadoras, o audiovisual movimenta cerca de R$ 27 bilhões por ano — o equivalente a 0,5% do PIB —, gera mais de 300 mil empregos diretos e indiretos e recolhe aproximadamente R$ 9 bilhões anuais em tributos. Dados da consultoria Olsberg/SPI mostram ainda que até 67% dos custos de uma produção audiovisual são direcionados a outros elos da economia, impulsionando cerca de 60 setores diferentes, do turismo à tecnologia.
As candidaturas que aderem à iniciativa assinam a Agenda Política Consensual do Cinema e do Audiovisual, organizada em cinco eixos: regulação e segurança jurídica; financiamento e inovação; internacionalização; trabalho e formação; e infraestrutura e memória audiovisual. Entre os compromissos concretos estão a aprovação da regulação dos serviços de streaming, hoje parada no Senado, o descontingenciamento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e a regulação da inteligência artificial no setor criativo.
Para se cadastrar, a candidatura precisa informar os mesmos dados registrados na Justiça Eleitoral, que são conferidos pela equipe da iniciativa antes da liberação do selo. Até 17 de agosto, 20 candidaturas de sete partidos e quatro estados já haviam aderido — número que, segundo os organizadores, comprova o caráter suprapartidário da proposta. Eleitores também podem filtrar a lista por cargo e estado na plataforma.