Redação Culturize-se
Três semanas depois de ficar com o terceiro lugar em “The Celebrity Traitors”, James Blunt volta à música com “Airplane Mode”, seu oitavo álbum de estúdio. São 12 faixas, e a edição deluxe, chamada “Red Eye Edition”, traz quatro músicas extras.
A principal mudança está no método de trabalho. Em vez de montar o disco aos pedaços, Blunt registrou o material ao vivo no Pig Music Studios, em Banbury, com a banda que o acompanha nas turnês. “Isso me permitiu assumir o controle do álbum e fazer com que ele soasse exatamente como eu o imaginava”, diz. O cantor resume o processo em uma frase que virou slogan do lançamento: “Em algum momento, acabei perdendo meu rumo, mas o reencontrei em um estúdio em Banbury”.

Em entrevista ao jornal italiano Quotidiano Nazionale, publicada em 30 de outubro, o artista explicou o que o levou a esse recomeço. Disse que, por anos, lançou discos a cada dois anos e escreveu pensando em rádios e gravadora, e que tentar agradar a todos enseja o risco de deixar o resultado “um pouco cinza”. A virada veio com a coletânea “The Stars Beneath My Feet”, de 2021, que ele associou a despedidas de artistas. Sentindo-se “musicalmente defunto” para a indústria, afirma ter se livrado das pressões comerciais. O resultado, segundo ele, é um álbum mais sombrio e introspectivo, “um diálogo sincero e sem filtros comigo mesmo”.
A ideia dialoga com o título. O nome faz referência à configuração do celular, mas funciona como metáfora para se desconectar temporariamente de si mesmo. Musicalmente, a divulgação aponta como referências David Gray, Coldplay e The Verve, além do britpop dos anos 1990 e de refrões de alcance amplo.
Blunt indicou três faixas para quem quer começar pelo disco. “Circles”, que abre o álbum, representa “exatamente o som” com o qual ele se identifica e trata do medo de mudar de emprego ou de relacionamento. “Time to Time” é descrita por ele como uma música intensa e dolorosa sobre desejo e solidão. Já “Modern Love” fala da sensação de se tornar invisível e de virar peça de uma engrenagem ao acordar para ir trabalhar. Ele cita ainda “Dancing in My Head”, dedicada à mulher, Sofia Wellesley. Os singles anteriores foram “Tastes Like Summer”, lançado em agosto, e “Weight of It All”, de setembro.
O disco trata de se desligar do mundo e de se reconcentrar no que importa ao cantor, ao navegar altos e baixos emocionais diante das pressões da vida. “Weight of It All” e “Reason to Die” combinam produção pop polida, violões e cordas. “In Your Blood” é o momento mais direto sobre o que o atormenta, num power ballad de órgão e bumbo marcado, e “Oh, Daisy” e “This Is Not Forever” aparecem como canções que exploram os pontos fortes de Blunt.
Ao jornal italiano, Blunt afirmou que a música tem “a imensa sorte de unir as pessoas” num momento em que política, mídia e algoritmos reforçam as diferenças.
O disco ganha os palcos no ano que vem. A turnê europeia, que começa em 17 de fevereiro, em Luxemburgo, chega ao Reino Unido em 26 de março, em Leeds, passa pela O2 Arena, em Londres, no dia 4 de abril, e termina em 8 de abril, em Brighton.