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Elle Fanning redefine sua trajetória em Hollywood

Redação Culturize-se

Na véspera das indicações ao Oscar deste ano, Elle Fanning já havia feito as pazes com a ideia de que seu nome poderia não ser anunciado. Então fez algo surpreendentemente pouco hollywoodiano: saiu para dançar. Ao lado da irmã, Dakota Fanning, passou a noite no lendário Chateau Marmont — um lugar que acompanha sua vida e carreira desde a infância. Horas depois, já em casa, começaram as ligações. A indicação havia vindo. “Eu estava gritando”, relembra em entrevista à Elle. “Parecíamos completamente loucas.”

A anedota captura algo essencial sobre Fanning aos 27 anos: uma artista situada entre a mitologia de Hollywood e uma tentativa deliberada de reescrever sua própria narrativa. Após mais de duas décadas em frente às câmeras — iniciadas ainda criança em “Uma Lição de Amor (2001)” — ela entra em uma fase menos definida pela imagem de jovem promissora e mais por autoria. Essa virada se materializa em seu projeto mais recente, a série “Margo’s Got Money Troubles”, do Apple TV, na qual não apenas atua, mas também exerce papel como produtora.

A carreira de Fanning sempre resistiu a classificações simples. Ela transitou com fluidez entre grandes produções, como “Super 8” e “Malévola”, e o cinema de autor, em títulos como “Demônio de Neon” e “O Estranho que Nós Amamos”. Mais recentemente, sua atuação em “Valor Sentimental” a colocou no centro das discussões da temporada de premiações, sinalizando uma maturidade que a indústria já antecipava. Para Fanning, porém, a transformação é tão pessoal quanto profissional. “Não estou mais pedindo desculpas por partes de mim”, afirma, descrevendo uma nova confiança moldada pela experiência e pelo que chama, meio em tom de brincadeira, de seu “retorno de Saturno”.

Foto: Olivia Malone

Essa confiança é central em “Margo’s Got Money Troubles”, adaptação do romance de Rufi Thorpe. A série acompanha uma jovem lidando com maternidade solo e instabilidade financeira, que recorre ao OnlyFans como estratégia de sobrevivência e forma de expressão. Para Fanning, o material teve impacto imediato. “Eu me apaixonei”, diz. “Tivemos que lutar por ele.” Ao lado da irmã, desenvolveu o projeto por meio de sua produtora, reunindo parceiros como a A24 e colaboradoras como Nicole Kidman e Michelle Pfeiffer.

O que distingue a série não é apenas sua premissa provocativa, mas a forma como trata a agência da protagonista. A decisão de Margo de entrar no OnlyFans não é apresentada como decadência moral, mas como uma negociação complexa de autonomia. Fanning abraçou essa ambiguidade, chegando a pesquisar a plataforma diretamente. “Há um espectro real”, observa. “Do extremo ao extremamente leve.” O papel também exigiu um novo nível de vulnerabilidade. “Margo está se expondo, então eu precisava sentir o mesmo”, explica, destacando a importância de um ambiente de confiança em um set majoritariamente feminino.

Se Margo representa um avanço ousado, também sintetiza aprendizados acumulados ao longo de toda a carreira. Fanning aponta sua experiência em “The Great” como um ponto de virada — ali, além de protagonista, atuou como produtora executiva, ampliando sua compreensão sobre liderança. “Precisei me lembrar de que tenho muita experiência”, diz. “Hoje sou bem mais assertiva.” Essa postura se estende aos bastidores, onde adota uma abordagem colaborativa inspirada por cineastas como Sofia Coppola.

A colaboração, aliás, é um tema recorrente em sua trajetória. Seja trabalhando com parceiros de longa data ou integrando relações pessoais aos projetos, Fanning construiu um ambiente criativo que define como familiar. Em “Margo”, isso incluiu a participação de conhecidos de infância e colaboradores de confiança. “Mantendo tudo em família”, comenta, rindo.

Família, literal e escolhida, permanece no centro de sua identidade. Sua relação com Dakota evoluiu de rivalidade infantil para aliança criativa, com projetos conjuntos no horizonte, como “The Nightingale”. Fora das telas, vínculos com figuras como Pfeiffer e Kidman funcionam como mentoria e suporte emocional. “Eu não conseguiria fazer esse trabalho sem pessoas que parecem família”, afirma.

A atriz em cena da nova série da Apple | Foto: Divulgação

Ainda assim, apesar das mudanças estruturais em sua carreira, certos traços permanecem. Fanning mantém um otimismo luminoso — que, segundo ela, não é ingenuidade, mas escolha. “Já vi muita coisa”, diz. “É a forma como lidamos com isso que define quem queremos ser.” Essa perspectiva orienta tanto suas decisões artísticas quanto suas ambições pessoais. Ela fala abertamente sobre o desejo de casar e ter filhos, ao mesmo tempo em que busca papéis desafiadores.

De certa forma, sua trajetória reflete uma mudança mais ampla em Hollywood, onde atores buscam maior controle sobre suas narrativas em uma indústria transformada pelo streaming e por novas dinâmicas de mercado. No caso de Fanning, porém, essa evolução parece menos estratégica e mais orgânica — um acúmulo gradual de autonomia.

Mais do que a jovem musa capturada por diretores, Elle Fanning se torna outra coisa: uma figura que molda as condições de sua própria visibilidade. Não apenas uma presença em Hollywood, mas uma arquiteta ativa de seu futuro.

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