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Mel Lisboa vive justiceira no problemático "Atena"

Por Reinaldo Glioche

O cinema brasileiro é rico e multifacetado e quem argumenta o contrário revela, no mínimo, desconhecimento. Isso posto, de todos os gêneros, o que mais sofre na cinematografia nacional é o da ação. Em parte, claro, porque a referência hollywoodiana oprime e estabelece parâmetros difíceis de serem alcançados, o que contribui para a má vontade do público. Mas a principal razão é mesmo a displicência, criativa e técnica, com que o gênero é trabalhado por aqui. Um bom exemplo disso é o filme “Atena”, de Caco Souza.

A produção se vale de temas batidos, mas indubitavelmente ressonantes, como justiçamento e vingança, mas peca pelo pobre desenvolvimento do roteiro, por cenas de ação mal elaboradas e coreografadas e por atores que, talvez descrentes da efetividade do projeto, parecem atuar com preguiça.

Mel Lisboa vive Atena, vítima de abusos por parte de seu pai na infância, que transforma essa dor em determinação para combater a violência contra mulheres. Junto com Helena, outra sobrevivente, elas formam um grupo que atrai, captura e julga agressores, atuando como um tribunal clandestino. Elas entram no radar do repórter investigativo Carlos (um sofrível Thiago fragoso), que logo se junta à empreitada.

Foto: Divulgação

O filme aborda temas como justiça, vingança e a luta contra a impunidade, mas o faz de uma maneira tão canhestra e fetichista que é difícil tirar algo genuinamente interessante da obra. Mel Lisboa até se esforça para dar tridimensionalidade à sua personagem, mas o texto não ajuda.

Mesmo recheado de problemas, é salutar que filmes como “Atena” sejam feitos no Brasil – e no caso deste filmes quase que em esquema de guerrilha. É preciso se exercitar no gênero e expandir os horizontes. Se a prática leva à perfeição, é importante ver “Atena”, no escopo do cinema de ação brasileiro, mas também na carreira dos realizadores, como parte da jornada.

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