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Luc Besson revisiona Drácula pela ótica de uma história de amor

Por Reinaldo Glioche

O personagem clássico de Bram Stoker já rendeu muitas adaptações no cinema. Umas mais inspiradas do que outras. “Drácula – Uma História de Amor Eterno” abraça o romantismo incontido no personagem ao abordar o personagem pelo viés de uma história de amor. A melancolia da eternidade ganha, portanto, um novo estofo dramático e um desenho narrativo mais oxigenado.

Luc Besson não goza mais do prestígio – ou da pujança criativa – de outrora, mas aqui demonstra que ainda tem lenha para queimar. Seu Drácula é uma figura trágica, amaldiçoada por Deus e em litígio com a eternidade. Caleb Landry Jones, um ator talentoso para adornar figuras taciturnas e que já havia trabalhado com o cineasta francês em “Dogman” (2023), dá vida ao personagem com um misto de afetação e desdém, que o tornam tão arredio quanto sedutor. É uma abordagem que, se não exatamente nova, prima pela contingência em detrimento do impacto.

No século XV, o Príncipe Vladimir renega Deus após a perda repentina de sua esposa. Ele, então, herda uma maldição eterna: torna-se Drácula. Condenado a vagar pelos séculos, ele se lança em uma busca inglória, reencontrar seu amor reencarnado. Se aproxima disso no século XIX, mas tem no seu encalço um padre cuja missão de vida é caçar esse demônio.

Esse padre é vivido com canastrice por Christoph Waltz, que traz humor à produção. Ele é chamado à Paris por um médico para auxiliar no diagnóstico de uma jovem histérica – que logo se revela uma vampira a serviço do Drácula. A partir daí, as duas missões – a do padre e de seu alvo – se entrelaçam estabelecendo o grande conflito do filme.

É verdade que “Drácula – Uma História de Amor Eterno” perde força na última meia hora. Em parte pelo ímpeto de Besson de aliar cenas de ação (francamente pouco inspiradas) com o clímax dramático da obra; em parte porque a verborragia discursiva do cineasta começa a tropeçar gerando gargalos narrativos. Ou seja, o longa funcionaria melhor com 15 minutos a menos e sem cenas de ação despropositadas.

Ainda assim, trata-se de um filme muito competente tecnicamente e interessante nas correlações que faz entre igreja, fé e a figura vampiresca do conde Drácula.

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