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“O Brutalista” é uma crítica à América por meio da arquitetura

Redação Culturize-se

Foto: Divulgação

“O Brutalista”, terceiro longa-metragem de Brady Corbet, redefine a épica americana através da história de László Tóth (Adrien Brody), um arquiteto húngaro que se refugia na Pensilvânia. Sem interesse pelo sonho americano, László encontra-se em um país onde seus designs minimalistas são incompreendidos, até que Harrison Lee Van Buren Sr (Guy Pearce), um milionário oportunista, reconhece seu talento e o contrata para um projeto pessoal.

O filme acompanha László e sua esposa Erzsébet (Felicity Jones) enquanto suas vidas são construídas e destruídas repetidamente sob a influência da família Van Buren. A cinematografia de Lol Crawley captura magistralmente os arranha-céus da Filadélfia e os embelezamentos neocoloniais de Nova York, criando momentos vertiginosos que contrastam com a visão arquitetônica brutalista de László.

Em um país ansioso por provar-se como império, a beleza do concreto e a função transformada em forma encontram resistência. László, educado na Bauhaus, e Erzsébet, jornalista de política internacional, descobrem que a modernidade americana é mais aparente que real, evidenciada pelo falso secularismo e pelo tratamento discriminatório aos imigrantes.

Leia também: “O Brutalista” pode ser fator surpresa do Oscar 2025

A segunda metade do filme atua como uma bola de demolição nas convicções de László, explorando o conservadorismo do pós-guerra americano. Através da arquitetura, “O Brutalista” expõe as ideologias falhas do mundo moderno, incluindo a criação do Estado de Israel e o neoliberalismo americano.

O filme se destaca especialmente quando luz, sombra e forma dominam a tela, revelando o poder da simplicidade. Como Corbet demonstrou em seu drama “Vox Lux”, nenhuma expressão artística está imune à apropriação ideológica, nem mesmo as estruturas aparentemente inabaláveis de László Tóth.

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