Atriz falou sobre a experiência de viver uma jovem mãe no filme de Steve McQueen durante a abertura do Festival de Londres e sublinhou “mudança sísmica” na vida de “jovens na casa dos 20 anos” durante o período
Por Patrícia Dantas | Especial para o Culturize-se de Londres

“Blitz”, novo filme do aclamado diretor Steve McQueen (“Shame” e “12 Anos de Escravidão”), teve sua estreia mundial na noite desta quarta-feira (09), abrindo a 68ª edição do Festival de Cinema de Londres.
O drama da Segunda Guerra Mundial acompanha a jornada épica de George (Elliott Heffernan), um garoto de 9 anos cuja mãe solteira Rita (Saoirse Ronan) o envia para um lugar seguro no interior da Inglaterra, com o intuito de evitar o perigo dos bombardeios em Londres. No entanto, determinado a voltar para casa em Stepney Green e se reunir com sua mãe e seu avô Gerald (Paul Weller), George embarca em uma aventura cheia de percalços e apuros, deixando sua família preocupada com seu sumiço.
Em entrevista coletiva após a exibição do longa-metragem, Saoirse, de 30 anos, famosa por seus papéis de destaque em “Lady Bird – A Hora de Voar” (2017) e “Adoráveis Mulheres” (2019), comentou como foi a experiência de interpretar uma mãe em vez de filha nas telonas.
“Eu meio que abordei isso como qualquer outra personagem. Por mais que eu fosse tão curiosa e inquisitiva sobre as mães ao meu redor e perguntasse a elas sobre suas experiências, era sobre encontrar uma dinâmica natural e um relacionamento com Heffernan. Isso acabou se tornando uma amizade. Tudo pareceu muito orgânico. Nada pareceu muito artificial”, disse a estrela de Hollywood.
“Quis que parecesse real. Quis representar minha mãe e as mulheres incríveis que tenho na minha vida, que são pessoas maravilhosas”, acrescentou.
Saoirse também fez questão de ressaltar a importância das mulheres durante a Segunda Guerra Mundial, que desempenharam funções como Rita trabalhando em uma fábrica de munições.
“Essas mulheres eram o poder central dentro de suas casas. E assumir os papéis de homens quando eles saíam [para combate] foi, tenho certeza, incrivelmente difícil para essas jovens que estavam na casa dos vinte anos. Muito estava sendo esperado delas. Essa mudança que aconteceu culturalmente, essa mudança, foi tão sísmica. Para mim e para as outras atrizes [interpretando funcionárias de fábrica] como Hayley Squires e Erin Kellyman e Sally Messham, para todas nós sabermos o que iria acontecer, mas manter o presente, foi uma parte incrivelmente emocionante da história para dar vida. Porque sabíamos o quão crucial esse momento foi na história para nós.”
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Ronan ressaltou como o tema de “Blitz” é “relevante” nos tempos atuais, levando em consideração as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. “Você ligava o noticiário e via exatamente a mesma coisa. O que tornou isso tão real como uma experiência de gravação é que você filma certas cenas onde há caos total e pandemônio, e temos que retratar personagens com medo e horror sórdidos, e então você saía do set, ligava o rádio e ouvia exatamente a mesma coisa, ligava o noticiário e via exatamente a mesma coisa. Então foi a primeira vez que tive uma experiência em um projeto em que não havia realmente uma escapatória dele.”
Steve McQueen, diretor de “Blitz”, adicionou: “Sinto que há uma urgência para o filme. Podemos realmente parar uma guerra. É um drama familiar no qual estou interessado em como, em épocas particulares como essa, o amor pode brilhar. O filme não é apenas olhar para um período sombrio na história britânica, mas também ver o melhor de quem somos. O campeão de tudo isso é o amor.”
Contando ainda com Stephen Graham, Leigh Gill, Benjamin Clementine e Paul Weller no elenco, “Blitz” será lançado nos cinemas do Reino Unido em 1º de novembro, antes de ficar disponível para streaming global no Apple TV+ em 22 de novembro.