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Pablo Marçal e o sequestro do bolsonarismo

Por Reinaldo Glioche

Depois de fazer a eleição na maior cidade do País ser sobre ele, Pablo Marçal avança sobre o ativo político mais valorizado no Brasil atualmente: o bolsonarismo. Não é por acaso que os filhos de Jair Bolsonaro andaram atacando o candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PRTB nas redes sociais, a grande praça pública do debate político atualmente.

Também não é por acaso que o nome de Marçal já é mais buscado no Google do que o de Bolsonaro. O empresário e coach, de perfil de direita, incorpora o populismo com uma naturalidade que só veio com tempo e treino para o ex-presidente e demonstra uma habilidade inata para manejar a opinião pública nesses tempos digitais.

Pablo Marçal e Jair Bolsonaro
Foto: Reprodução/X

A preocupação do núcleo duro de Bolsonaro é que Marçal se capilarize demais com a eleição em São Paulo e, na eventualidade de Bolsonaro ser preso, acabe como herdeiro político do bolsonarismo mesmo sem uma passagem de bastão.

As aspirações políticas de Marçal são uma incógnita, mas os 16% de intenção de voto em São Paulo fazendo apenas barulho e em um partido nanico mostram que elas irão se estabilizar em perspectivas maiores do que muitos analistas julgavam possível há dois, três meses.

Há consenso entre cientistas políticos de que o bolsonarismo hoje é uma ideia e que não necessariamente precisa de Bolsonaro para se oxigenar. Algo diverso do lulismo, por exemplo, uma metonímia do pensamento esquerdista que só resplandece na figura de Lula.

É justamente esse consenso, que embora inconfesso permeia o entorno do ex-presidente, tira o sono do núcleo duro do bolsonarismo, que não sabe exatamente como reagir a Marçal. A resposta imediata está sendo deslegitimá-lo enquanto postulante à representação da ideia que é Bolsonaro. É uma ação intuitiva, mas de poucos efeitos. Marçal reúne até mais elementos que ressoam junto às massas do que Bolsonaro e tal qual este sabe operar no limite o ideário de antissistema. Ou seja, Marçal desponta como um arquétipo do bolsonarismo mais límpido do que o próprio Bolsonaro.

O self made man não é algo novo na política, muito menos no espectro mais à direita e na esteira da ascensão global da direita e com o trumpismo mais em evidência na eleição norte-americana, Marçal parece estar em uma posição invejável.

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