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Globo de Ouro consagra “Oppenheimer” em noite de escolhas residuais

Reinaldo Glioche

Foi a primeira edição de um Globo de Ouro sob nova direção e o que se viu foi, em certo nível, um colegiado, que agora é mais internacional – no sentido de que não é composto apenas por jornalistas sediados em Los Angeles – e maior – com 300 membros -, mais alinhado com os prêmios satélites da crítica. Isso não é necessariamente algo ruim, mas talvez uma contingência da profunda reformulação promovida na estrutura do prêmio, que deixa de ser outorgado pela Hollywood Foreign Press Association e passa a ser gerido por uma organização que detém o controle das principais publicações de entretenimento nos EUA.

Nesse contexto, a vitória de “Oppenheimer”, que levou cinco estatuetas das 7 em que estava indicado, incluindo filme dramático e direção, não surpreende. O longa de Christopher Nolan é cinema autoral que também é comercial e faturou US$ 955 milhões nas bilheterias. Pode-se até não achar a obra sobre as circunstâncias da criação da bomba atômica a melhor entre os indicados, mas é difícil refutar seus predicados.

Equipe de "Oppenheimer" no palco do Globo de Ouro
Elenco e equipe de “Oppenheimer” no palco do Globo de Ouro | Foto: Sonja Flemming/CBS

“Barbie”, o filme mais indicado da edição, faturou dois prêmios. Canção original e a nova categoria de feito cinematográfico em bilheteria. É claro que o longa teve uma performance abaixo das expectativas, mas não se trata de um desempenho decepcionante. Era o filme certo para legitimar uma categoria que nasce contestada – o nome não ajuda – e a menção em categorias importantes como roteiro, direção e filme de comédia eram suficientes para um filme que merecia figurar ali, mas não necessariamente merecia a vitória.

Nas categorias de atuação não houve surpresas e os nomes que despontam como favoritos na temporada confirmaram o status. As indicações ao SAG, que saem nesta semana, devem aferir mais clareza sobre o posicionamento na corrida com vistas ao Oscar. Um duelo que parece mais equilibrado se dá na categoria de ator entre os vencedores de drama (Cillian Murphy por “Oppenheimer”) e comédia (Paul Giamatti por “Os Rejeitados”).

As duas vitórias de “Anatomia de uma Queda”, o filme que já vencera a Palma de Ouro, reforça a percepção de que este será o filme estrangeiro abraçado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Foi também nas escolhas que agraciaram o longa de Justine Triet que o Globo de Ouro se permitiu sair do residual.

Até porque nas categorias de TV o óbvio se impôs com virulência. Não havia outra alternativa a não premiar a excelente última temporada de “Succession”, principalmente em face do fraco ano para as séries, mas nas categorias de Comédia e Série Limitada, o Globo de Ouro preferiu ser conservador; afastando-se da essência que melhor caracterizou o prêmio em sua prévia encarnação.

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