Redação Culturize-se
Um samba sobre a sabedoria de não carregar o sofrimento no peito ganhou nova vida nas vozes de dois dos maiores nomes da música popular brasileira. “Diplomação”, parceria de Ivan Lins com o letrista Celso Viáfora, traz consigo uma história que ficou guardada por décadas.
A melodia da primeira parte da canção, como revela o próprio Ivan, foi composta em 1975, quando nasceu seu filho João, e permaneceu esquecida numa fita K7 por anos. Só em 2001 a música viria a público, no álbum “Basta um Tambor Bater”, de Viáfora, com participação do grupo MPB4, que a relançou novamente em 2005. Agora, mais de duas décadas depois, a canção ressurge renovada, com a leveza característica de Zeca Pagodinho traduzindo com precisão o espírito de seus versos: se a vida é diplomação em sofrimento / eu quase nunca faço a lição.
“Essa gravação com nosso querido Zeca foi a quarta que fizemos juntos em estúdio”, conta Ivan. “Nem preciso dizer que o Zeca é um cara muito especial.”


O single é o segundo lançamento de pré-estreia do álbum “Sambadouro”, previsto para o segundo semestre de 2026 pelo selo Sesc, e que promete ser um dos discos mais celebrados do ano. O projeto retoma as raízes sambistas de Ivan Lins e reúne um elenco de peso: Xande de Pilares, Mart’nália, Péricles, Ferrugem e Diogo Nogueira dividem os vocais, enquanto Carlinhos 7 Cordas, Paulão 7 Cordas e Rafael dos Anjos assinam os arranjos.
O disco surge como um gesto coletivo de homenagem a um dos maiores compositores da música brasileira, que completou 80 anos em 2025. Vencedor de cinco Grammy Latino — o último deles o Prêmio à Excelência Musical, recebido no ano passado —, Ivan Lins construiu uma obra que atravessou o Brasil e o mundo, gravada por nomes como Elis Regina, Sting, Quincy Jones e Diana Krall.
Com “Sambadouro”, ele não olha apenas para trás. Reafirma, com a mesma vitalidade de sempre, que ainda tem muito a dizer e a sambar.