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Veneza premia o dinamarquês "Woman Unknown"

Redação Culturize-se

A 83ª edição do Festival de Veneza terminou no último sábado (12) com a diretora dinamarquesa May el-Toukhy levando o Leão de Ouro por “Woman Unknown” — o único longa da competição principal dirigido exclusivamente por uma mulher. A escolha reacendeu o debate sobre a baixa presença feminina na mostra, tema que a presidente do júri, a atriz Maggie Gyllenhaal, já havia levantado no início do festival.

Em coletiva após a cerimônia, Gyllenhaal rejeitou a ideia de que a premiação fosse um “gesto político”, como sugeriu um jornalista, e brincou dizendo que nem havia assistido ao filme antes de votar. Em tom mais sério, no entanto, afirmou que o problema é estrutural: segundo ela, mulheres enfrentam mais dificuldade para conseguir financiamento de seus projetos. Apenas dois títulos da disputa pelo Leão de Ouro tinham direção feminina — além de “Woman Unknown”, o documentário “NAZA”, codirigido por Rachel Szor.

O júri, formado também por nomes como Kaouther Ben Hania e Johnnie To, decidiu ainda conceder à atriz Mathilde Arcel, protagonista de “Woman Unknown”, o Copo Volpi de melhor atriz — prêmio duplo que só pode ser dado quando a decisão é unânime. Já “NAZA”, documentário sobre o conflito em Gaza dirigido por Szor e Yuval Abraham, recebeu o prêmio especial do júri e se tornou um dos fenômenos do festival ao provocar uma ovação de 24,5 minutos, a maior já registrada em um festival de cinema, segundo o relato do evento.

O clima político dominou esta edição. O diretor artístico Alberto Barbera chegou a chamar a programação de mais política da história do festival, com filmes sobre magnatas da mídia de direita, trolls online e o conflito no Oriente Médio. Gyllenhaal defendeu esse caráter engajado do cinema, argumentando que histórias sobre personagens corruptos ou perversos ajudam o público a desenvolver empatia.

Fora das telas, o astro George Clooney roubou a cena mesmo sem ter um filme em cartaz: foi a Veneza para receber o Leão de Ouro por carreira e aproveitou aparições públicas para falar sobre liberdade de expressão e o enfraquecimento das democracias, cunhando o termo “kakistocracia” para descrever governos liderados pelos menos qualificados.

Outros destaques da edição incluíram a ovação de 13 minutos para “Wild Horse Nine”, comédia dramática de Martin McDonagh estrelada por John Malkovich e Sam Rockwell, e os 15,5 minutos de aplausos para “Bunker”, com Penélope Cruz e Javier Bardem. Já o diretor Lance Oppenheim, de 30 anos, emergiu como uma das revelações do festival com “Primetime”, estrelado por Robert Pattinson, recebendo sete minutos de aplausos no Lido antes de apresentar, dias depois, um documentário sobre Elizabeth Holmes em Telluride.

No panorama geral, para uma das edições “mais políticas da história”, Veneza provocou poucos debates e não parece ter cativado a opinião pública cinéfila em 2026. A escolha do vencedor, que em momento algum suscitou tais expectativas, talvez ateste essa palidez.

Cena do filme “Woman Unknown” | Foto: Divulgação

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