Redação Culturize-se
A OpenAI fechou uma parceria inédita com a Kalshi, plataforma de mercados de previsão, para exibir odds de apostas diretamente no ChatGPT durante a Copa do Mundo de 2026. A informação, revelada pelo New York Times, mostra que buscas sobre jogos da competição passaram a retornar gráficos indicando probabilidades de vitória — como os 60% atribuídos à França contra a Espanha, ou os 54% dados à Inglaterra contra a Argentina. A colaboração, discreta e sem logomarcas ou links externos, representa mais um passo na estratégia de mercados de previsão de se ancorarem em marcas consolidadas para ganhar legitimidade.
Nos últimos meses, plataformas como Kalshi e sua rival Polymarket firmaram acordos com a CNN, Dow Jones — editora do The Wall Street Journal — e Google para exibir dados em tempo real. Diferentemente de casas de apostas tradicionais, esses mercados se apresentam como ferramentas analíticas, permitindo apostas em eventos que vão desde resultados esportivos até desfechos geopolíticos. A OpenAI, por sua vez, atualizou sua página de ajuda para esclarecer que usuários não podem apostar pelo ChatGPT, limitando a parceria a consultas.
No entanto, a expansão das plataformas ocorre em meio a controvérsias crescentes. Na última semana, a ABC News revelou que Gabriel Perez, operador de teleprompter do presidente Donald Trump, está em negociações de acordo com a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) por suspeita de usar informação privilegiada para lucrar mais de US$ 100 mil na Kalshi. O caso expõe a vulnerabilidade de um setor que, apesar de prometer transparência, tem sido palco de manipulações — como apostas suspeitas sobre a invasão dos Estados Unidos à Venezuela e acertos precisos sobre o show do intervalo do Super Bowl.

A Kalshi afirmou que sua equipe de vigilância identificou e encaminhou as operações de Perez aos reguladores. A Casa Branca, por sua vez, disse esperar que todos os funcionários sigam “rigorosas diretrizes éticas”, embora o operador continue no cargo. A situação é ainda mais delicada pelo histórico de Trump de apoiar plataformas de apostas em sua disputa contra reguladores estaduais — seu filho, Donald Trump Jr., atua como conselheiro tanto da Kalshi quanto da Polymarket.
Enquanto as parcerias com gigantes da tecnologia e da mídia levam os mercados de previsão ao mainstream, a ausência de uma regulamentação federal robusta nos Estados Unidos mantém o setor em território nebuloso. A pergunta que fica é se a busca por credibilidade por meio de marcas como OpenAI e CNN será suficiente para superar os riscos reputacionais de escândalos recorrentes.