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Neon salva filme de Guadanigno sobre OpenAI e reafirma seu status no cinema autoral

Reinaldo Glioche

Há poucos dias a coluna repercutiu a decisão da Amazon de não lançar – e abandonar – o filme “Artificial”, sobre a OpenAI e seu CEO, Sam Altman. As duas empresas firmaram recentemente uma parceria superior a US$ 50 bilhões, o que demoveu a Amazon da ideia de lançar um cilme crítico a Altman.

O avanço das big techs, principalmente à luz do desenvolvimento acelerado da IA, sobre Hollywood é suficientemente inquietante para alterar não apenas os parâmetros, mas os receios da Indústria do cinema. Empresas superficialmente interessadas no projeto, da Netflix a Warner, passando pela A24 e Apple, afastaram-se dele depois de verem um filme que problematiza o avanço da IA sem dourar a pílula.

A Neon, que já demonstrara faro apurado para projetar produções de grande ambição artística, fincou-se como resistência. A empresa, que distribuiu nos EUA os últimos sete vencedores da Palma de Ouro em Cannes, garantiu os direitos globais de distribuição de “Artificial”.

Foto: Montagem sobre reprodução

Todo o imbróglio envolvendo o filme, claro, ajuda a torná-lo um elemento essencial da próxima temporada de premiações e eleva o interesse pelo que Guadagnino tem a dizer a respeito do cenário de IA e o redesenho político-econômico promovido pelas big techs.

A sensibilidade da Neon passa também pelo fato de que a produtora não ostenta – até o momento – nenhum acordo comercial com empresas que desenvolvam ou invistam ativamente em inteligência artificial. Essa independência é providencial para uma empresa que lista como um de seus principais predicados a curadoria de um cinema relevante, socialmente engajado e artisticamente ambicioso.

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