Redação Culturize-se
Com inauguração marcada para esta sexta (16) em Roterdã, na Holanda, o museu Fenix da migração oferece aos visitantes mais do que uma visita convencional a um museu — convida-os a uma jornada imersiva de movimento, memória e significado. Já na entrada, os visitantes se deparam com uma espiral literal e simbólica: uma imensa escadaria em dupla hélice chamada O Tornado, projetada por Ma Yansong, do MAD Architects. As escadas entrelaçadas convidam os visitantes a cruzarem caminhos e mudarem de perspectiva — assim como as histórias de migração que o museu busca destacar. “Esperamos que você amplie sua visão sobre a migração”, diz a diretora Anne Kremers.
Localizado em uma cidade moldada por partidas e chegadas, o museu Fenix explora a complexa relação de Roterdã com a migração. Com mais de 170 nacionalidades entre seus 670 mil habitantes, a cidade portuária há muito é um centro de movimento global. Desde as viagens coloniais e a emigração no pós-Segunda Guerra Mundial até as chegadas mais recentes de cabo-verdianos e chineses, a história de Roterdã é rica em narrativas migratórias. O museu busca homenagear tanto as despedidas quanto os reencontros.
Sua exposição central, Todas as Direções, reúne obras de mais de 100 artistas que abordam o tema da migração. Uma mostra fotográfica intitulada A Família dos Migrantes exibe 200 imagens de arquivos e jornais internacionais, enquanto um labirinto de 2 mil malas — cada uma acompanhada por uma história — oferece vislumbres pessoais das vidas de migrantes. Obras como The Bus (1995), de Red Grooms, e a instalação de portão metálico de Shilpa Gupta refletem as realidades emocionais e físicas da migração.
O Fenix é também um espaço comunitário. Seu grande átrio, o Plein, é uma praça coberta de 2.000 metros quadrados que receberá eventos organizados por moradores e grupos locais — como as celebrações do Ano Novo Chinês. Segundo Wim Pijbes, diretor da fundação Droom en Daad (que comprou o antigo armazém em 2018), o Fenix incorpora o espírito de reinvenção artística. Ele o conecta ao passado dinâmico de Roterdã como porta de entrada entre a Europa e as Américas, especialmente durante os anos 1920, marcados pelo jazz, e o vê como parte do renascimento cultural da cidade após os bombardeios nazistas de 1940.
A arte comunitária tem sido essencial para esse renascimento. A tradição de reservar orçamentos para arte em projetos públicos continua a moldar a paisagem urbana. Instituições culturais como a Kunsthal Rotterdam e o marcante Depot Boijmans Van Beuningen também contribuem para essa revitalização.
Em um momento em que os debates na Europa sobre imigração se tornam mais polarizados, o Fenix oferece uma forma mais silenciosa de resistência. “Não é uma declaração política”, afirma Kremers. “Nosso objetivo é enriquecer sua visão sobre a migração.”
Como descobriu a artista Efrat Zehavi, de Roterdã, ao esculpir retratos em plasticina baseados em entrevistas de rua, histórias de migração são suaves, flexíveis e em constante transformação — assim como a identidade. E em Roterdã, o Fenix está oferecendo a essas histórias um lar permanente.
*com agências internacionais