Redação Culturize-se
O Museu de Ciências da Terra (MCTer), patrimônio histórico e cultural do Rio de Janeiro, inicia neste ano um processo de transformação sem precedentes. Instalado no Palácio da Geologia, na Urca, o espaço passará por uma ampla reforma que ampliará sua área em mais de seis vezes, criando novos ambientes de exposição, pesquisa e documentação. A obra marca um ponto de virada na trajetória de 118 anos do museu, que abriga um dos acervos de geologia e paleontologia mais importantes da América Latina.
O MCTer será parte integrante do futuro Centro Científico e Cultural da Urca, considerado um dos maiores projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I) em geociências no Brasil. A iniciativa tem financiamento da Petrobras, a partir de cláusulas de P,D&I previstas em contratos com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O investimento total está estimado em R$ 200 milhões, dos quais R$ 85,5 milhões serão destinados ao museu.
Na próxima sexta-feira (19), o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Petrobras lançarão os processos licitatórios da obra, com início previsto para dezembro.
Patrimônio em transformação
De acordo com o diretor-presidente do SGB, Inácio Melo, a reforma representa um salto histórico. “Esse projeto posiciona o MCTer em sintonia com os grandes museus internacionais e valoriza um acervo único: o mais importante em paleontologia do Brasil e um dos maiores em vertebrados fósseis da América do Sul. Mais que preservar nossa memória científica, reafirmamos o papel do museu como referência em geologia e paleontologia.”

Expansão e novos espaços
Com a revitalização, a área total do museu saltará de 2,4 mil m² para 15 mil m², distribuídos nos blocos do Palácio da Geologia. O projeto inclui:
- Exposições: serão 5 mil m² dedicados ao público, incluindo biblioteca especializada e biblioteca infantil.
- Laboratórios: 650 m² destinados a atividades como preparação mecânica e química de fósseis, micropaleontologia, microscopia, petrografia e ilustração científica.
- Centros de memória e documentação: para preservação e pesquisa de acervos científicos.
- Áreas técnicas e administrativas: para suporte às atividades do museu.
Segundo a museóloga e coordenadora-geral do MCTer, Célia Corsino, a mudança ampliará significativamente o alcance do museu. “Hoje recebemos cerca de 60 mil visitantes por ano. A expectativa é multiplicar esse número por dez, com novas exposições e serviços. Também abriremos ainda mais espaço para a comunidade científica, oferecendo reservas técnicas especializadas e atendimento em laboratórios.”
A expansão também reforçará a atuação curatorial do museu. O MCTer já abriga mais de 500 mil itens, sendo 380 mil catalogados, e deve se tornar depositário oficial de fósseis apreendidos em coletas ilegais. O acervo, resultado de mais de um século de trabalho científico, inclui a coleção paleontológica mais relevante do Brasil e uma das mais ricas em vertebrados fósseis da América do Sul.
O museu, fundado em 1907, tem histórico de parcerias com universidades, programas educativos com prefeituras e forte potencial para atração de público turístico. Localizado em uma das áreas mais visitadas do Rio de Janeiro, reúne condições para se consolidar como referência nacional e internacional em museologia científica.