Redação Culturize-se
Chris Rock estampa a capa da mais recente edição da revista Variety, que oferta a primeira grande entrevista do comediante desde o tapa que levou de Will Smith no Oscar de 2022. A matéria está inserida no contexto promocional do novo filme de Rock como diretor. “Misty Green”, exibido no Festival de Toronto, é seu primeiro trabalho como cineasta em 12 anos.
Aos 61 anos, Rock parece mais ponderado do que o público está acostumado a ver: fala devagar, pausa antes de responder e brinca que evita comentários ácidos “para não ser cancelado”. A entrevista, porém, revela que ele não perdeu completamente a persona opinativa e provocadora que chamou a atenção de Eddie Murphy há décadas, quando Rock tinha apenas 19 anos, resultando em sua escalação para “Um Tira da Pesada 2” e, depois, para o “Saturday Night Live”.

“Misty Green”, que chega aos cinemas dos EUA pela A24 em 9 de outubro, é descrito por Rock como um filme “pequeno”, com orçamento de cerca de US$ 5 milhões — o menor de sua carreira como diretor. O longa é estrelado por Rosalind Eleazar, de “Slow Horses”, como uma ex-atriz famosa que perde o padrão de vida após a morte do companheiro que a sustentava financeiramente, e conta ainda com Adam Driver, Daniel Kaluuya, Anna Kendrick e Topher Grace.
O ponto alto da entrevista, porém, é a forma como Rock lida com o episódio do tapa. Questionado sobre como se sente hoje em relação ao momento, ele respondeu de forma comedida: “Eu gostaria que nada tivesse acontecido.” Rock evitou se aprofundar no assunto, dizendo não querer tirar o foco da atriz Rosalind Eleazar, e minimizou o próprio desconforto diante de problemas maiores do mundo. Sobre uma possível volta como apresentador do Oscar, foi direto: só aceitaria se fosse indicado a uma estatueta — o que, segundo ele mesmo admite, não deve acontecer.