Redação Culturize-se
O verão de 2026 nos cinemas americanos entrou para a história como o mais lucrativo já registrado. Segundo dados da Rentrak, as bilheterias domésticas do período compreendido entre 1º de maio e o Labor Day (7 de setembro) somaram US$ 4,76 bilhões, superando a marca de US$ 4,755 bilhões estabelecida em 2013, quando “Homem de Ferro 3”, “Meu Malvado Favorito 2” e “O Homem de Aço” lideraram as bilheterias. A comparação exige ressalvas — os números de 2013 não foram corrigidos pela inflação, e a temporada deste ano teve sete dias a mais, encerrando-se em 130 dias contra 123 há uma década —, mas o resultado é visto pelo mercado como um marco simbólico após cinco anos de incerteza sobre o futuro das salas de cinema.
Pela primeira vez na história, os quatro meses da alta temporada — maio, junho, julho e agosto — ultrapassaram individualmente a barreira de US$ 1 bilhão em receita, segundo a Rentrak. Mais relevante que o faturamento, porém, foi a retomada do público nas salas: de acordo com a consultoria EntTelligence, o número de ingressos vendidos saltou para mais de 322 milhões, ante 275 milhões no verão de 2025 — desmentindo a tese de que o recorde se deveu apenas ao aumento do preço médio dos bilhetes (hoje em US$ 13,46 para adultos).
O grande motor da temporada foi “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, da Sony/Marvel, que já acumula US$ 923 milhões nos Estados Unidos e US$ 2,4 bilhões globalmente, tornando-se o terceiro maior lançamento da história mundial, atrás apenas de “Avatar” e “Vingadores: Ultimato”. A produção também está prestes a superar “Star Wars: O Despertar da Força” como o filme de maior bilheteria doméstica de todos os tempos. Também surpreendeu “A Odisseia”, de Christopher Nolan, com US$ 589 milhões nos EUA e US$ 1,62 bilhão no mundo — puxado, em parte, pelo desempenho robusto das salas Imax.

Fora dos blockbusters mais previsíveis, o fenômeno “Backrooms”, da A24, se destacou como a maior abertura e o maior sucesso de bilheteria da história do estúdio, driblando expectativas modestas. Já “Michael”, da Lionsgate, tornou-se o maior sucesso da história do estúdio e ultrapassou US$ 1 bilhão globalmente, sendo apontado por analistas como o filme que “acendeu o pavio” da temporada ao atrair espectadores esporádicos de volta às salas — um público que, segundo o analista Bill Skelly, da Greenlight Analytics, manteve o hábito ao longo de todo o verão.
Nem tudo foram vitórias. “Moana”, em versão live-action, “Supergirl” e “Mestres do Universo” figuram entre os fracassos mais notáveis da temporada, assim como “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu”, considerado o título de menor bilheteria entre os live-actions da franquia.
O resultado reflete também um desgaste do streaming como principal forma de entretenimento doméstico. “As gerações estão deixando de lado o streaming como destino preferido”, afirmou um executivo de estúdio, citando a queda das ações da Netflix. Para o financista de cinema Joseph M. Singer, o motivo é simples: “Streaming é conveniente. Um cinema é um programa” — e para a Geração Z, mais social do que qualquer outra, essa experiência coletiva parece valer mais do que os pessimistas previam.