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Livrarias francesas registram saldo negativo inédito após mais de três décadas

Redação Culturize-se

O mercado livreiro francês atravessa um momento de inflexão histórica. Pela primeira vez desde que o monitoramento começou, em 1993, o número de livrarias fechadas superou o de novas aberturas na França. Dados divulgados pelo Centro Nacional do Livro (CNL) mostram que, em 2025, foram inauguradas 83 livrarias, enquanto 85 encerraram suas atividades, resultando em um saldo líquido negativo inédito para o setor.

O resultado marca uma mudança significativa após um período de forte expansão entre 2021 e 2023, impulsionado pela recuperação econômica posterior à pandemia. Em 2024, o ritmo de crescimento já havia desacelerado, mas os números de 2025 confirmam uma tendência mais preocupante no maior mercado editorial da Europa.

A queda nas aberturas foi expressiva. O total de novas livrarias caiu 38% em relação a 2024, quando haviam sido registradas 135 inaugurações. O número atual representa praticamente metade dos recordes alcançados em 2021 e 2023. Ainda assim, o volume permanece ligeiramente superior ao observado antes da crise sanitária.

Segundo o CNL, a retração está ligada principalmente à diminuição das livrarias especializadas, enquanto as generalistas passaram a representar mais de 80% das novas aberturas. Apesar do cenário adverso, o interior do país continua desempenhando papel central na expansão da rede. Mais da metade das novas livrarias abertas em 2025 surgiu em municípios com menos de 15 mil habitantes, especialmente em áreas rurais, turísticas ou periurbanas.

Se as aberturas diminuíram, os fechamentos permaneceram em níveis elevados. Após anos em que a média variava entre 30 e 40 encerramentos anuais, o setor registrou 78 fechamentos em 2023, 90 em 2024 e 85 em 2025. Quase metade dos estabelecimentos que encerraram suas atividades havia sido criada depois de 2017, evidenciando a fragilidade de muitos projetos recentes.

O relatório do CNL aponta uma combinação de fatores econômicos para explicar a situação. O aumento dos custos fixos, especialmente aluguel e folha de pagamento, coincide com a redução das vendas de livros em valor e volume. O cenário tornou-se ainda mais desafiador após a queda de 6% nas vendas registrada no primeiro trimestre de 2026.

Público na edição 2023 do evento | Foto: Divulgação

Além das dificuldades financeiras, especialistas identificam uma transformação mais profunda nos hábitos culturais. Uma análise publicada pelo site francês Actualitté destaca a redução do número de leitores, do tempo dedicado à leitura e da prática de leitura contínua, fenômenos associados ao avanço das mídias digitais e à crescente fragmentação da atenção.

Diante desse contexto, o CNL considera que a sustentabilidade da rede dependerá cada vez mais das aquisições e transmissões de livrarias existentes. Em 2025, foram registradas 57 operações desse tipo, número estável em relação aos últimos anos. Para a instituição, preservar os estabelecimentos já consolidados tornou-se uma estratégia tão importante quanto incentivar a abertura de novas lojas, garantindo a diversidade editorial e a presença das livrarias nos territórios franceses.

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