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Instalação "Vozes" reúne depoimentos de 80 mulheres sobre machismo e sociedade

Redação Culturize-se

O Centro de Artes Calouste Gulbenkian, no Rio de Janeiro, recebe de 3 a 29 de outubro a instalação imersiva “Vozes”, criada pela artista Ynaê Cortez com curadoria de Felipe Amâncio. A obra multimídia utiliza depoimentos de mais de 80 mulheres, de 7 a 70 anos, que relatam suas experiências vivendo em uma sociedade machista.

A exposição, com entrada gratuita, apresenta peças sonoras baseadas em entrevistas com mulheres de diversas classes sociais, orientações sexuais, raças e gerações. Os depoimentos abordam diferentes esferas da vida, incluindo ambiente doméstico, carreira profissional, educação dos filhos, relacionamentos, liberdade de circulação, padrões de beleza, violência e sexualidade.

O projeto nasceu da pesquisa de Ynaê sobre mulheres na arte e o machismo predominante na história artística, tradicionalmente narrada sob perspectivas masculinas. “O processo teve início quando comecei uma pesquisa sobre mulheres na arte, pensando no machismo predominante na história da arte, que é contada a partir das perspectivas de artistas homens”, explica a artista.

Paralelamente, sua dissertação de mestrado contemplou estudos sobre interseccionalidade no feminismo, abrangendo categorias como experiências de vida, etnia, classe social e gênero. A partir dessa base acadêmica, a artista coletou diversos pontos de vista sobre a experiência de viver em uma sociedade estruturalmente machista.

Experiência sonora polifônica

A instalação cria uma experiência imersiva através de cinco peças sonoras de uma hora em looping, distribuídas em cinco caixas de som. “Ao entrar na sala, é possível ouvir uma multidão de mulheres falando, mas se você quiser, é possível chegar perto de um dos amplificadores para ouvir um depoimento específico”, descreve Ynaê.

No texto curatorial, Felipe Amâncio contextualiza a obra como um espaço de testemunho contra o silenciamento. “A instalação reapresentada pela primeira vez desde sua primeira individual (2019), de certo modo, lida com o assombro dessa mitologia, o infortúnio da repetição”, escreve o curador.

Amâncio destaca que a obra reproduz “não apenas o depoimento, de caixa para caixa, mas também o mesmo enredo trágico, situações violentas na vida familiar, no trabalho e sociedade, encenado por diferentes personagens”.

Foto: Divulgação

Arte como ferramenta de diálogo

O curador enfatiza o papel da instalação como instrumento de abertura ao diálogo social. “Testemunhar para que a dor não sufoque, para pedir ajuda, abrir diálogo. Assim como as conchas podem ecoar um mar nunca visto, as caixas da instalação Vozes trazem aos ouvidos experiências sociais que podem gerar reconhecimento e empatia.”

A obra se posiciona como “empenhada em não silenciar opressões, mas em acolher e reverberar o que precisa ser mudado”, consolidando-se como reflexão artística sobre questões de gênero na sociedade contemporânea.

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