Redação Culturize-se
O avanço do streaming não apenas transformou a forma como o público consome música, mas também vem redesenhando a estrutura de remuneração dos titulares de direitos autorais no Brasil. Em 2025, a União Brasileira de Compositores (UBC) ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 1 bilhão distribuído a seus associados e representados, um crescimento de 8% em relação ao ano anterior. A entidade respondeu sozinha por 62% de todo o valor distribuído pelas sete associações que integram o Ecad, consolidando sua posição como principal força da gestão coletiva no país.
Os dados integram o Relatório Anual 2025 da UBC, que revela um mercado em expansão tanto no ambiente digital quanto na música ao vivo. A arrecadação total do sistema brasileiro de gestão coletiva chegou a R$ 2,105 bilhões, alta de quase 15% sobre 2024. Já o montante distribuído pelas associações alcançou R$ 1,725 bilhão, crescimento de 9,95%.
Segundo Marcelo Castello Branco, diretor-executivo da UBC, o resultado reflete investimento contínuo em tecnologia, inovação e processos. O principal motor desse avanço foi o digital: a arrecadação proveniente de streaming de áudio e vídeo cresceu 47,2% e passou a representar 33,6% do total arrecadado. Shows e eventos aparecem em seguida, com 19,5%, evidenciando a combinação entre o consumo massivo nas plataformas e a retomada das grandes turnês.

Na distribuição, o streaming também ganhou peso. O vídeo respondeu por 13,43% dos valores distribuídos, enquanto o áudio representou 10,11%. Ambos cresceram em relação ao ano anterior, reforçando a importância das plataformas para a sustentabilidade dos criadores.
A música ao vivo também viveu um ano de expansão. Os valores ligados ao segmento cresceram 20,99%, e os de shows, 15,81%. Festas tradicionais tiveram desempenho expressivo: as distribuições relacionadas às festas juninas subiram 40,56%, e as do Carnaval, 34,83%.
Além dos valores, a UBC ampliou sua base: terminou 2025 com 3,05 milhões de obras cadastradas e 1,68 milhão de fonogramas, além de 71 mil associados diretos. A entidade liberou ainda R$ 128,9 milhões em direitos retidos após identificação de obras e titulares.
A digitalização também avançou internamente, com reformulação do site, novos dashboards e a criação da assistente virtual Chiquinha, baseada em inteligência artificial. Ao mesmo tempo, a UBC participou de debates sobre a regulamentação do uso de IA na criação musical, defendendo remuneração justa aos autores.
O relatório também celebrou repertórios: Zeca Pagodinho foi homenageado no Prêmio UBC; Rosa Passos recebeu o Troféu Tradições; e Luiz Caldas, a Medalha UBC. O projeto Por Elas Que Fazem a Música registrou crescimento de 210% no número de mulheres associadas em oito anos.