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O adeus a Giorgio Armani, o mestre da elegância atemporal

Redação Culturize-se

O mundo da moda perdeu nesta quinta-feira (4) um de seus maiores ícones; o estilista italiano Giorgio Armani, morto aos 91 anos em Milão. Segundo comunicado oficial do Grupo Armani, o criador da grife homônima e símbolo da moda minimalista e elegante, faleceu “ao lado de seus entes queridos”. A causa da morte não foi divulgada.

Nascido em Piacenza, em 1934, filho de um contador, Armani trilhou um caminho improvável até se tornar um dos nomes mais influentes do século 20. Fascinado por anatomia, iniciou o curso de Medicina na Universidade de Milão, mas abandonou os estudos antes de concluí-los. Serviu ao Exército nos anos 1950, onde atuou no Hospital Militar de Verona, e, após a experiência, encontrou na loja de departamentos La Rinascente sua porta de entrada para a moda. Ali, trabalhou como vitrinista e comprador, aprendendo sobre tecidos, tendências e marketing — conhecimentos que moldariam sua visão criativa.

A ascensão na indústria ocorreu nos anos 1960, quando foi contratado para desenhar a linha masculina da grife Nino Cerruti. Criativo e incansável, Armani colaborava com até dez marcas ao mesmo tempo, já imprimindo a silhueta despojada que o tornaria reconhecido. O encontro com o arquiteto Sergio Galeotti, que se tornaria seu companheiro pessoal e profissional, foi decisivo. Em 1973, abriram juntos um escritório em Milão e, em 1975, fundaram a marca Giorgio Armani, inicialmente com coleções masculina e feminina.

Armani revolucionou a alfaiataria ao desconstruir o terno tradicional: substituiu forros pesados por tecidos leves, criando peças mais próximas ao corpo e confortáveis. Essa ousadia, lançada nos anos 1980, transformou-o no “rei do casual chique”. Rapidamente, sua estética se expandiu para o vestuário feminino, refletindo um estilo pragmático e discreto que dialogava com as mudanças sociais da época. “Tudo avançava em outras áreas, mas na costura não. Criei um blazer moderno e confortável, e as pessoas o adotaram tanto pela aparência quanto pelo prazer de vestir”, disse em entrevista.

Plataforma pop

O cinema foi um trampolim para a fama global. Em 1980, Richard Gere vestiu criações de Armani em “Gigolô Americano”, filme considerado um divisor de águas pelo estilista. Na sequência, ele assinou figurinos de mais de 250 produções, incluindo “Os Intocáveis”, de Brian De Palma, e “Beleza Roubada”, de Bernardo Bertolucci. A moda e o audiovisual tornaram-se indissociáveis em sua trajetória, com colaborações que incluíram até músicos, como Eric Clapton, autor de trilhas para desfiles nos anos 1990.

O sucesso foi acompanhado pela expansão de seu império. Em 1981, lançou a Emporio Armani, seguida da Armani Exchange (A/X) e de coleções diversificadas, como jeans, moda praia, infantil e underwear — setor em que impactou a cultura pop com campanhas estreladas por David Beckham, Cristiano Ronaldo, Rafael Nadal e Calvin Harris. Criou ainda uniformes para a polícia de Milão, comissárias de bordo e até para taxistas, além de inovar ao transmitir um desfile online em 2007. Sua marca também se ramificou em perfumes, cosméticos, hotéis, objetos de design e até no universo náutico, em parceria com a The Italian Sea Group para o design de iates.

Foto: AFP

Apesar da expansão, Armani manteve um perfil reservado. Sem filhos, cultivava momentos de lazer em família, especialmente com a sobrinha Roberta Armani, figura próxima de sua vida pessoal e profissional. Discreto quanto à sua intimidade, admitiu ter tido relacionamentos com homens e mulheres, mas evitava comentar sobre Galeotti ou outros parceiros. Em 2024, foi apontado pelo South China Morning Post como a pessoa LGBT+ mais rica do mundo, com fortuna estimada em US$ 12,4 bilhões.

Sua trajetória, no entanto, não esteve livre de polêmicas. Em 2015, declarou ao The Sunday Times que “homens gays não precisam se vestir como homossexuais”, frase que gerou críticas da comunidade. Ainda assim, sua figura pública permaneceu mais ligada à obra do que a controvérsias. Também foi marcada sua histórica rivalidade com Gianni Versace, assassinado em 1997.

Nos últimos anos, Armani preparava a sucessão da marca, apontando Leo Dell’Orco, seu braço direito, como figura central na moda masculina da grife. Em julho, problemas de saúde o afastaram de desfiles em Paris e Milão, mas o estilista afirmava que retornaria às passarelas em setembro. A morte interrompeu essa expectativa, mas não abala a solidez de um império que fatura cerca de 2,3 bilhões de euros por ano.

Ao longo de quase cinco décadas, Armani construiu um legado que transcende a moda. Ele redefiniu a alfaiataria, criou um estilo atemporal e discreto que se tornou símbolo de sofisticação global e transformou a moda em diálogo constante com cinema, música e outras expressões culturais.

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