Redação Culturize-se
A Fundação Bienal de São Paulo revelou os participantes da 36ª Bienal – “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, que ocupará o Pavilhão Ciccillo Matarazzo de 6 de setembro de 2025 a 11 de janeiro de 2026 com entrada gratuita. Sob curadoria de Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, a mostra reúne 150 nomes de 40 países, incluindo brasileiros como Gê Viana, Maxwell Alexandre e Sallisa Rosa, além de ícones internacionais como Wolfgang Tillmans e Kader Attia.
O conceito curatorial tomou como metáfora os voos de aves migratórias – como o trinta-réis-ártico e o gavião-de-cauda-vermelha – para pensar deslocamentos humanos. “Assim como as aves, carregamos memórias e linguagens ao cruzar fronteiras”, explica Ndikung. A seleção evitou divisões geopolíticas, priorizando artistas de regiões marcadas por rios como Amazonas, Tâmisa e Essequibo, símbolos de conexões culturais.
Destaques incluem:
- Firelei Báez (Rep. Dominicana/EUA): pinturas sobre diásporas caribenhas
- Forensic Architecture (Reino Unido): investigações sobre violência estatal
- Heitor dos Prazeres (Brasil): acervo do mestre do samba carioca
- Otobong Nkanga (Nigéria): instalações sobre exploração de recursos naturais

Pavilhão transformado em paisagem fluida
A expografia, assinada por Gisele de Paula e Tiago Guimarães, recria a mobilidade dos rios com estruturas orgânicas e percursos sinuosos. “É um convite à escuta e à pausa, onde o vazio ganha força”, descrevem os arquitetos. A mostra ainda terá um núcleo especial na Casa do Povo, com performances de Marcelo Evelin e Dorothée Munyaneza.
Com duração recorde de 4 meses, a Bienal expandiu seu programa educativo e incluiu recursos de acessibilidade. “Queremos democratizar o acesso à arte contemporânea”, afirma Andrea Pinheiro, presidente da Fundação. A etapa preparatória já realizou “Invocações” em Zanzibar, Tóquio e Guadalupe, dialogando com saberes locais.