Redação Culturize-se
Conhecido por filmes perturbadores como “Dogtooth” (2009) e “Pobres Criaturas” (2023), Yorgos Lanthimos constrói mundos onde reinam a crueldade e o absurdo. No entanto, sua mais recente exposição, Yorgos Lanthimos: Fotografias, na Webber Gallery LA, em Los Anegels, nos Estados Unidos, revela um lado mais silencioso de sua visão. Extraídas de dois novos livros — “Dear God, the Parthenon is still broken ” (2024), que documenta “Pobres Criaturas”, e “i shall sing these songs beautifully” (2024), feito durante “Tipos de Gentileza” —, essas imagens trocam o grotesco visceral por uma quietude inquietante.
Ao contrário de seus filmes, que agridem os sentidos, a fotografia de Lanthimos prospera na ausência. Uma piscina deserta banhada por luz dourada, prédios envoltos em andaimes em um set vazio — essas cenas parecem suspensas entre realidade e artifício. As fotos de “Pobres Criaturas”, em especial, revelam a construção meticulosa do mundo surreal de Bella Baxter: gruas surgem contra céus pintados, e o ator Jerrod Carmichael se apoia no corrimão de um navio no meio de uma cena. Membros e rostos obscurecidos remetem às composições inquietantes de Kubrick, transformando corpos em objetos espectrais.
Em “Tipos de Gentileza”, o foco muda para o que fica depois. Lanthimos enquadra salas vazias e adereços abandonados, como se interrogasse a natureza fugaz da narrativa. Se “Pobres Criaturas” se deleitava no excesso barroco, essas imagens parecem forenses, assombradas pelos fantasmas da atuação. A exposição convida o público a permanecer nesses espaços liminares — onde a loucura da produção cinematográfica dá lugar à melancolia.

Yorgos Lanthimos: Fotografias fica em cartaz de 29 de março a 24 de maio de 2025 na Webber Gallery LA, oferecendo um raro vislumbre por trás da cortina distorcida do diretor.