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Entre a sátira e a canção, Daniel Furlan mostra sua faceta mais experimental

Redação Culturize-se

Músico, comediante, roteirista e apresentador, Daniel Furlan é um dos artistas mais versáteis da cena cultural brasileira contemporânea. Conhecido por sua irreverência na televisão e no humor digital, ele também vem consolidando uma trajetória musical que, embora menos comentada, revela um talento inquieto e uma busca constante por novas linguagens. Essa faceta ganha destaque no projeto Tropical Nada, que o artista apresenta em show único no Sesc Avenida Paulista, na sexta (22), às 20h, em São Paulo.

O espetáculo marca um momento singular na carreira de Furlan, ao reunir humor ácido, crítica social e arranjos densos em uma viagem sonora que mistura referências do tropicalismo ao synthpop, passando pelo rock alternativo, o britrock, o grunge e até pinceladas de blues. Ao lado de uma banda formada por músicos de peso, o comediante transformado em frontman oferece ao público um repertório que é tanto uma provocação quanto uma celebração da música feita com liberdade criativa.

O álbum Tropical Nada, lançado em 2023, é o ponto de partida do show. As canções exploram um leque de sentimentos que vão da ironia cortante à melancolia introspectiva, como demonstram faixas como “Não vale nada” e “Ontem eu tive um pesadelo com você”. Outras, como “Quem é meu pai” e “Beijo de saliva”, flertam com atmosferas mais intensas, conduzidas por guitarras vigorosas e arranjos que evocam tanto a herança do rock alternativo quanto a estética de bandas britânicas dos anos 1990.

Esse caldeirão de referências não é gratuito. Assim como em sua atuação no humor, em que mistura absurdo, crítica cultural e improviso, Furlan faz da música um território de experimentação. “A ideia é que o show seja uma experiência psicodélica, divertida, mas também com momentos de reflexão”, comenta o músico em entrevistas recentes. “É como se fosse uma viagem que passa pelo riso, mas que também olha para dentro.”

Foto: Divulgação

O show terá a participação especial de Rodrigo Lima, vocalista da banda de hardcore Dead Fish, uma parceria que promete acentuar ainda mais a força do encontro entre gerações e estilos. A presença de Lima, conhecido por letras combativas e de forte apelo político, dialoga com a vertente crítica do trabalho de Furlan, que frequentemente lança mão da ironia para comentar o Brasil contemporâneo.

Do humor à música: uma carreira sem fronteiras

Embora muitos ainda associem Daniel Furlan sobretudo à comédia, a incursão musical não deve ser vista como um desvio, mas como uma extensão natural de sua inquietação artística. O humorista capixaba ganhou notoriedade na MTV Brasil, com o programa cult “O Último Programa do Mundo“, exibido entre 2012 e 2015, que marcou uma geração com sua estética de improviso e sátira televisiva.

Desde então, Furlan se tornou um rosto familiar em diferentes telas e formatos: emprestou sua voz a “Irmão do Jorel”, animação premiada do Cartoon Network; mergulhou no drama urbano de “Pico da Neblina”, série da HBO sobre a legalização da maconha em São Paulo; e apareceu em “Lady Night”, talk show de Tatá Werneck no Multishow e na TV Globo, sempre equilibrando humor nonsense e presença carismática.

Essa transição para a música, portanto, não representa uma ruptura, mas sim a continuidade de uma trajetória que sempre valorizou a mistura de linguagens. Assim como seus personagens televisivos desafiam rótulos e expectativas, suas canções propõem ao público um deslocamento: rir, dançar, pensar e talvez até se emocionar no mesmo intervalo de tempo.

Um show que sintetiza uma geração

Ao apostar em Tropical Nada, Daniel Furlan também se insere em um movimento mais amplo de artistas brasileiros que transitam entre artes distintas, borrando fronteiras entre humor, música e performance. Nesse sentido, sua proposta ecoa experiências de nomes como Tom Zé e Arnaldo Antunes, que souberam unir ironia e experimentação, embora em registros distintos.

No palco do Sesc, Furlan oferece ao público uma síntese de sua visão de mundo. Uma visão que é, ao mesmo tempo, debochada e crítica, cômica e melancólica, dançante e introspectiva. Uma visão que, tal como a própria carreira do artista, se recusa a caber em categorias pré-definidas.

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