Redação Culturize-se
Superficialmente, desinformação e informação errônea compartilham a característica fundamental de serem informações falsas. A distinção crucial reside na intenção subjacente à sua disseminação. Uma informação equivocada pode, inadvertidamente, alimentar uma campanha de desinformação, enquanto um ato deliberado de desinformar pode, com o tempo e a repetição, perder sua intenção original de engano, transformando-se em mera informação errônea.
Segundo o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa Michaelis, desinformação é a “ação de desinformar” ou “dados falsos que induzem ao erro”. O Dicionário Online Priberam de Português complementa, definindo desinformação como o “ato ou efeito de desinformar, de suprimir uma informação, de minimizar a sua importância ou de modificar o seu sentido”, e também como “informação contrária à verdade, capaz de confundir ou de induzir em erro”. Ambas as definições convergem para a ideia de uma informação distorcida ou falsa que leva ao engano.
A informação errônea, por sua vez, carece dessa intenção deliberada de enganar. É a divulgação de uma informação incorreta sem o objetivo primário de induzir ao erro, muitas vezes por falta de conhecimento ou por acreditar na veracidade do conteúdo compartilhado.
Fake news, um termo de origem inglesa amplamente utilizado no Brasil, embora ainda não formalmente integrado a todos os dicionários da língua portuguesa, é frequentemente empregado como sinônimo de desinformação, especialmente no contexto da disseminação online. O Dicionário inFormal define fake news como “notícias falsas e compartilhadas, geralmente na Internet, por usuários de redes sociais e sites ilegítimos”. Essa perspectiva enfatiza a intencionalidade da criação e disseminação de notícias falsas para causar dano ou influenciar a opinião pública.
Um exemplo de desinformação, à luz dos dicionários, seria a criação e propagação nas redes sociais de alegações falsas sobre a segurança de uma vacina, com o objetivo de gerar pânico e desconfiança na população, possivelmente motivada por interesses políticos ou ideológicos. A informação é deliberadamente falsa e visa induzir ao erro, causando potencialmente danos à saúde pública.
Em contraste, se um indivíduo compartilha essa alegação falsa sobre a vacina em um grupo de amigos, acreditando genuinamente na sua veracidade após tê-la recebido de uma fonte não confiável, sua ação se enquadraria na disseminação de informação errônea. Embora a informação seja falsa e possa ter consequências negativas, a intenção primária do indivíduo não é enganar, mas sim compartilhar o que ele acredita ser uma informação relevante.
As fake news, portanto, representam uma subcategoria da desinformação, caracterizada pela sua apresentação como notícias verdadeiras, muitas vezes imitando o formato de veículos de comunicação legítimos, e pela sua disseminação facilitada pelas plataformas digitais. O objetivo principal das fake news é frequentemente influenciar opiniões, manipular crenças ou prejudicar indivíduos e grupos, alinhando-se com a definição de desinformação presente nos dicionários.
A distinção entre informação errônea e desinformação, e a compreensão do termo fake news como uma forma de desinformação, são cruciais para navegar no complexo cenário informacional atual. Reconhecer a intenção por trás da disseminação da informação é fundamental para combater eficazmente a manipulação e promover um debate público mais informado e transparente.