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"Sagração" mistura mitos, dança e Brasil em temporada em São Paulo

Redação Culturize-se

O espetáculo “Sagração”, da coreógrafa Deborah Colker, faz temporada até 15 de junho no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. A montagem é uma releitura de “A Sagração da Primavera”, do compositor russo Igor Stravinsky, adaptada ao contexto brasileiro e enriquecida com elementos ancestrais e indígenas. A versão de Colker mistura música clássica, dança contemporânea e ritmos populares como boi bumbá, coco, afoxé e samba. “Quando decidi recontar esse clássico, pensei que teria de ser a partir da cosmovisão de povos originários do Brasil”, afirma a coreógrafa.

Com mais de dois anos de desenvolvimento, o espetáculo estreou em março de 2024 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A Companhia Deborah Colker, criada em 1994, já se apresentou em mais de 100 cidades de 35 países, alcançando um público estimado de 4 milhões de pessoas.

O processo criativo de “Sagração” foi marcado por uma imersão cultural. Durante uma viagem ao Xingu, Deborah conheceu o cineasta indígena Takumã Kuikuro, que compartilhou com ela a lenda sobre como o povo do chão recebeu o fogo do Urubu-Rei. Essa narrativa compõe a dramaturgia do espetáculo, acompanhada da narração do próprio Takumã.

Além das cosmogonias indígenas, Colker revisitou passagens da mitologia judaico-cristã — como a história de Eva e a serpente e a jornada de Abraão — com a consultoria do rabino e escritor Nilton Bonder. Para Bonder, esses mitos abordam os processos de tomada de consciência e transgressão humana. Colker também incorpora no espetáculo referências da biologia e da teoria evolutiva, com personagens que representam bactérias, herbívoros e quadrúpedes.

A trilha sonora de Stravinsky ganhou novos timbres sob a direção musical de Alexandre Elias, que introduziu instrumentos como flauta de madeira, maracá, caxixi e paus de chuva. O cenário de Gringo Cardia utiliza 170 bambus de 4 metros de altura, simbolizando resistência e flexibilidade. “Nossa dramaturgia é feita da poesia presente em mitos e teorias que pensam a existência da vida em nosso planeta”, resume Deborah Colker.

Foto: Divulgação

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