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Um século em cem crônicas: O GLOBO celebra 100 anos com antologia histórica

Redação Culturize-se

Uma homenagem à altura do centenário de O GLOBO chega às livrarias com o lançamento de “Um século em cem crônicas”, coletânea que reúne 32 dos maiores cronistas que escreveram para o jornal desde sua fundação, em 1925. Publicado pelo selo Biblioteca Azul, da Globo Livros, o volume percorre cem anos de história do Brasil a partir do olhar sensível e crítico de autores como Rubem Braga, Nélson Rodrigues, Guimarães Rosa, João Ubaldo Ribeiro, Danuza Leão, Jô Soares e Fernanda Young.

Organizado pela jornalista Maria Amélia Mello e pela historiadora Cláudia Mesquita, o livro destaca a importância da crônica como gênero literário genuinamente brasileiro e como marca registrada de O GLOBO. “Todas as crônicas pesquisadas nasceram no jornal. O Rio de Janeiro, como capital, atraiu esses autores. Esta antologia só seria possível em O GLOBO e na cidade”, afirma Mesquita.

Desde a primeira edição do jornal, a crônica ocupou um espaço central na interpretação da vida cotidiana brasileira, oferecendo um registro das tensões, hábitos e encantos de cada época. Para Maria Amélia, o projeto também reforça a função dos jornais como berço da literatura: “As boas crônicas adormecem nos jornais e amanhecem nos livros. As melhores resistem ao tempo, e foi isso que fizemos aqui.”

A coletânea chama atenção ainda para a contribuição pioneira das mulheres. “Foi surpreendente perceber a força das cronistas, a começar por Elsie Lessa, a primeira mulher a atuar nesse espaço em O GLOBO”, observa Mesquita.

Organizado em ordem cronológica, o livro não se propõe a contar a história oficial do século XX e XXI, mas acaba por revelar, de forma espontânea, um retrato íntimo do país. “A crônica é o rés do chão, aquilo que acontece no cotidiano. Sem querer, o mosaico dos textos forma uma narrativa histórica”, explica Maria Amélia.

Da crítica social ao lirismo, do humor à melancolia, a seleção revela o alcance de um gênero que transformou pequenas observações em documentos culturais. “Esperamos que o leitor se emocione, ria, aprenda e se reconheça nas páginas, assim como nós ao pesquisar”, conclui Mesquita.

Entre os cronistas presentes estão nomes centrais da literatura e do jornalismo brasileiro, como Antônio Maria, Otto Lara Resende, Arnaldo Jabor, Chico Anísio, Sérgio Cabral, Aldir Blanc e José Lins do Rego. A obra reafirma o papel de O GLOBO como casa da crônica e guardião de uma tradição que se mantém viva há um século.

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