Redação Culturize-se
Com investimentos que somam R$ 6,3 bilhões, a Prefeitura de São Paulo articula um pacote robusto de obras e políticas públicas para revitalizar a região central até o fim da gestão Ricardo Nunes (MDB), em 2028. O conjunto de intervenções abrange desde grandes obras de mobilidade urbana, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e o prolongamento da Avenida Marquês de São Vicente, até ações urbanísticas e fiscais voltadas à moradia e ao incentivo à economia local.
O VLT é o carro-chefe do pacote de infraestrutura. Inspirado nos modelos vistos por Nunes em viagem recente à Itália, o modal terá duas linhas interligando o centro histórico a bairros como Campos Elíseos, Brás e Bom Retiro. Com custo estimado em R$ 3,8 bilhões, o sistema deve retirar 20 mil toneladas de CO² da atmosfera e transportar 135 mil passageiros por dia, além de ampliar em 100% a área verde da região da Sé.
Paralelamente, o prolongamento da Avenida Marquês de São Vicente conectará a zona oeste à leste com um corredor arborizado de BRT, ciclovia e faixas exclusivas para carros e motos. Orçada em R$ 1,5 bilhão, a via facilitará a desativação do Elevado João Goulart (Minhocão), prevista no Plano Diretor para 2029.
Outros projetos importantes incluem a Parceria Público-Privada (PPP) do Parque Dom Pedro II, estimada em R$ 717 milhões, e a Nova Esplanada da Liberdade, com custo de R$ 338 milhões. A primeira teve a licitação suspensa temporariamente pelo Tribunal de Contas do Município, que apontou falhas no edital, enquanto a segunda prevê a construção de lajes entre viadutos da Liberdade para conectar áreas fragmentadas pelo traçado da Radial Leste.
Além das obras físicas, a Prefeitura aposta no Programa Requalifica Centro, criado em 2021, como ferramenta para atrair novos moradores e investidores. Com incentivos como isenção de IPTU, ITBI, taxas municipais e redução de ISS, o programa já aprovou 22 projetos de retrofit que somam 2.069 novas unidades habitacionais. Um fundo de subvenção econômica de até R$ 1 bilhão foi criado para custear até 25% das obras – 60% do total é reservado à habitação social.

No evento II Encontro Brasileiro de Urbanismo em Áreas Centrais, realizado em Campinas, a Prefeitura apresentou também as chamadas Ruas Temáticas, como a General Osório (Rua das Motos) e a Santa Ifigênia, voltadas à promoção de identidades econômicas e culturais locais. A proposta é transformar essas vias em polos dinâmicos, turísticos e seguros.
Outro destaque é a reserva da região da Estação Júlio Prestes para moradias de interesse social. A medida visa evitar a gentrificação e a expulsão da população de baixa renda, preservando a lógica de cidade compacta e próxima dos polos de emprego.
As ações do governo municipal dialogam com o projeto do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que pretende instalar a nova sede do Executivo estadual nos Campos Elíseos, ampliando a presença institucional e a força simbólica da área central.
Após sofrer com os impactos da pandemia, como o esvaziamento do comércio, o aumento da população em situação de rua e a dispersão da Cracolândia, o centro de São Paulo dá sinais de recuperação. O reforço no policiamento e a retomada de bares, restaurantes e espaços culturais criam um ambiente mais favorável para os investimentos.
A expectativa da gestão Nunes é que boa parte das obras esteja em andamento até as eleições de 2028, servindo como vitrine política para seu sucessor. O desafio, no entanto, será equilibrar os interesses públicos e privados de modo a garantir revitalização sem exclusão social.