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Brasil aposta em políticas públicas e no protagonismo do Rio para formar novos leitores

Redação Culturize-se

No dia 23 de abril, data que marca o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais, o Brasil celebra mais do que uma efeméride literária. Com o Rio de Janeiro prestes a assumir o título de Capital Mundial do Livro, concedido pela Unesco, e com o Governo Federal promovendo avanços significativos na formulação e implementação de políticas públicas voltadas à leitura, o país vive um momento promissor — e urgente — de retomada do compromisso com o livro, a literatura e a democratização do acesso ao conhecimento.

O Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Secretaria de Formação, Livro e Leitura (Sefli), tem liderado uma série de ações estratégicas para fomentar uma cultura leitora de maneira estruturada e contínua. Um dos principais pilares dessa política é o novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL 2025-2035), que será submetido à consulta pública ainda no primeiro semestre. O plano, construído de forma conjunta com o Ministério da Educação (MEC), traz como diferencial a definição de metas e ações concretas, organizadas em quatro eixos: democratização do acesso, formação de mediadores, valorização simbólica da leitura e fortalecimento da cadeia produtiva do livro.

Entre as ações já em andamento está a distribuição de 4,8 milhões de livros para quatro mil bibliotecas públicas e comunitárias cadastradas no Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP). A iniciativa, viabilizada por meio do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), conta com um investimento de R$ 50 milhões. Essa medida busca não apenas atualizar os acervos, mas também integrar essas bibliotecas ao ciclo de compras do programa, historicamente voltado às escolas. A Biblioteca Casa Amarela, no Rio de Janeiro, foi a primeira a receber os kits literários, marcando simbolicamente o início das entregas na cidade que será, a partir deste ano, palco de uma agenda intensa voltada à leitura.

A nomeação do Rio como Capital Mundial do Livro também simboliza um momento de reflexão e oportunidade. Ao longo de um ano, a cidade sediará feiras literárias, saraus, exposições, cafés literários, eventos em bibliotecas e intervenções culturais nos principais terminais de transporte público. Destaque para a Bienal do Livro e uma edição inédita do Prêmio Jabuti na cidade. A prefeitura estima beneficiar 50 mil pessoas com ações de fomento à leitura, incluindo projetos como o “Book Parade Rio 2025”, “Rio de Livros” e “Academia Editorial Jr.”

Foto: Acervo Casa Amarela Biblioteca

Contudo, a celebração do livro acontece em meio a números preocupantes. A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil revelou que o país perdeu 6,7 milhões de leitores nos últimos anos. Pela primeira vez desde o início da série histórica, o número de não leitores ultrapassou o de leitores. Nos três meses anteriores à pesquisa, 53% dos entrevistados afirmaram não ter lido nem parte de um livro. O dado escancara o desafio que o Brasil enfrenta: tornar o livro um objeto cotidiano e acessível, e não um luxo reservado a poucos.

Entre os fatores que contribuem para esse cenário, estão a precariedade de políticas públicas em décadas anteriores, o fechamento de bibliotecas e o alto custo dos livros. O 9º Painel de Varejo de Livros mostrou um aumento de 12,2% no preço médio do livro, que agora custa em torno de R$ 51,48. Ao mesmo tempo, apenas 16% da população acima de 18 anos comprou um livro no último ano, segundo a Câmara Brasileira do Livro.

Diante disso, programas como o Agentes de Leitura, que será retomado com apoio da Política Nacional Aldir Blanc, ganham ainda mais importância. A proposta é formar jovens para atuar em suas comunidades, levando livros às casas e promovendo o hábito da leitura. Outra iniciativa em destaque é o prêmio Vivaleitura, que volta a reconhecer boas práticas de promoção da leitura no país.

Também merecem atenção os MovCEUs — vans-biblioteca com acervo de 200 livros cada — e os novos espaços de leitura previstos para os conjuntos habitacionais do Minha Casa, Minha Vida, que vão somar 1,5 mil bibliotecas comunitárias. A modernização de 310 bibliotecas, com apoio de R$ 9,3 milhões, reforça o compromisso do governo com o acesso descentralizado ao livro.

O título concedido ao Rio de Janeiro deve, portanto, servir como vitrine e catalisador. Mais do que uma honra, é um convite à ação. Um país só se torna verdadeiramente leitor quando as políticas públicas se transformam em hábitos e os livros encontram leitores em todos os cantos — das capitais às comunidades mais distantes.

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