Redação Culturize-se
A Fundação Bienal de São Paulo anunciou nesta terça-feira (28) Amanda Carneiro e Raphael Fonseca como curadores-chefes da 37ª edição da Bienal de São Paulo. A mostra, prevista para o segundo semestre de 2027 no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera, configura-se como o maior evento de artes visuais da América Latina e um dos três mais importantes do mundo, ao lado da Bienal de Veneza e da documenta de Kassel.
A nomeação representa um reencontro da instituição com uma tradição curatorial marcadamente brasileira. Ao longo das últimas edições, a Fundação Bienal experimentou diferentes modelos curatoriais, de curadores-chefes internacionais a estruturas coletivas sem hierarquia definida, configurando uma alternância deliberada entre perspectivas externas e vozes enraizadas no Brasil. Com Carneiro e Fonseca, a instituição projeta essa tradição em diálogo com debates contemporâneos e circuitos internacionais. Trata-se da segunda vez que dois curadores brasileiros assumem, juntos e em paridade, a liderança artística de uma edição.
“Tenho sido profundamente marcada pelas práticas artísticas, debates e encontros que a Bienal de São Paulo torna possíveis”, afirmou Amanda Carneiro. “Estou honrada com esta nomeação como curadora-chefe e tocada pela possibilidade de desenvolver esta edição em São Paulo, cidade que também é a minha.” Carneiro é curadora do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) desde 2018 e foi organizadora artística da 60ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza (2024). No MASP, curou exposições de artistas como Beatriz Milhazes, Sonia Gomes, Abdias Nascimento e Santiago Yahuarcani. É graduada, mestre e doutoranda em história social pela Universidade de São Paulo.

Raphael Fonseca, por sua vez, relembrou o primeiro contato com o formato bienal. “A primeira vez que viajei do Rio de Janeiro a São Paulo foi em 2006, justamente para ver pela primeira vez uma bienal de artes visuais, a 27ª Bienal de São Paulo”, contou. “Poder estar no cargo de curador-chefe vinte anos após esse primeiro encontro com o formato bienal é algo que ultrapassa qualquer uma das minhas expectativas.” Fonseca é curador de artes visuais da Culturgest, em Portugal, e curador at large de arte moderna e contemporânea latino-americana no Denver Art Museum, nos Estados Unidos. Foi curador-chefe da 14ª Bienal do Mercosul (2025) e cocurador da 22ª Bienal SESC_Videobrasil (2023). É doutor em história e crítica da arte pela UERJ.
A escolha dos curadores foi conduzida por um comitê de seleção curatorial liderado pela presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Andrea Pinheiro. O processo colegiado considerou critérios como consistência intelectual da proposta, relevância e complementaridade das trajetórias curatoriais, capacidade de articulação com o contexto local e com o circuito internacional, e alinhamento com a missão da instituição. “A Bienal de São Paulo tem mais de setenta anos de história e, ao longo desse tempo, passou por transformações profundas na forma como pensa a curadoria, o público e o seu papel no mundo”, analisou Pinheiro. “A escolha de Amanda Carneiro e Raphael Fonseca para a 37ª edição é parte dessa história em movimento.”
O projeto curatorial de Carneiro e Fonseca será apresentado no segundo semestre deste ano. A dupla já mantém uma parceria consolidada: além de colaborações anteriores, ambos compartilham uma trajetória de pesquisa voltada para a arte moderna e contemporânea, com especial atenção às produções do Sul Global e às questões de identidade, memória e pertencimento. A expectativa é que a 37ª edição consolide ainda mais a Bienal de São Paulo como plataforma indispensável para o debate artístico contemporâneo.