Redação Culturize-se
O espaço RETINA, localizado no primeiro andar da Galeria Metrópole, em São Paulo, inaugura no sábado (30) a exposição Arcádia, primeira mostra individual do artista mineiro Lucas Ferreira. A mostra segue em cartaz até 20 de setembro e propõe um mergulho poético e político sobre as relações entre gênero, sexualidade e natureza, em uma narrativa que mistura referências místicas e fabulações pop.
Em Arcádia, as pinturas apresentam corpos que se confundem com paisagens etéreas e fantasmagóricas. Com pinceladas gestuais e formas de “não-presença”, as obras evocam a ausência histórica do corpo queer em espaços bucólicos, mas também sua resistência em se reinscrever nesses territórios. “Busco mostrar que essas existências sempre estiveram aqui, ainda que invisibilizadas”, afirma Ferreira. “Ao trabalhar com símbolos religiosos e ícones da cultura pop, proponho uma Arcádia contemporânea, onde o queer é reconhecido como parte constitutiva da própria natureza, e não como algo à margem dela.”
A curadoria é assinada por Gabriel Babolim, que destaca o caráter de acolhimento presente nos trabalhos. “Lucas nos mostra que o queer não é um elemento externo à natureza, mas parte fundamental dela. Suas obras criam paisagens de fabulação em que símbolos e corpos dissidentes ocupam o centro da cena, deixando de ser marginais.”
Artista em ascensão
Nascido em Poços de Caldas (MG), em 1996, Lucas Ferreira é formado em Arquitetura e Urbanismo pela PUC Minas. Sua produção explora intersecções entre sexualidade, cultura e meio ambiente, sempre sob uma perspectiva queer. Em suas telas, elementos místicos convivem com imagens delicadas de corpos e paisagens, criando atmosferas críticas e, ao mesmo tempo, etéreas.