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Bem-vindo à nova Idade Média

Edson Aran

Nós vivemos numa espécie de Idade Média Reload, já reparou? Não chega a ser absolutamente horrível. Ruim mesmo era o período pré-cambriano, quando só tinha ameba e influencer (tadadan-tssssss…). Agora é mais tranquilo. É uma Idade das Trevas com wi-fi.

A Idade Média é um período histérico que começa com a invasão de Roma pelos visigodos no século 5 e termina com a queda de Constantinopla para os otomanos no século 15. Entre uma derrocada e outra, são dez séculos de violência, praga e fanatismo. Mas também teve coisas legais, tipo, donzela, menestrel, cavaleiro andante e todas as temporadas de “Game of Thrones” de uma vez só.

O século 21 é semelhante em vários aspectos. Vivemos tempos bárbaros e selvagens, leitora querida, mas não se pode tocar no assunto. A expressão “bárbaro” é obviamente colonialista e “selvagem” é coisa de civilizado elitista. Na Idade Média era igual. Ninguém se entendia. O vândalo ficava puto quando era confundido com um franco, que não valia nada, ou com um saxão, que prestava menos ainda. Os celtas não se davam com os gauleses que não suportavam os germanos. Tinha mais briga na Europa do que no último Natal em família.

Era tanta matança que, em 1096, o Papa Urbano II encheu o saco e disse: “Vamos juntar os divergentes para acabar com os antagônicos… pau nos muçulmanos, gente boa!” Foi assim que começou a Primeira Cruzada.

Falar nisso, até pouco tempo atrás tinha gente fantasiada de cavaleiro templário chamando pra manifestação fascista, lembra? Também tinha filósofo afirmando que a Terra era plana e religioso dizendo que covid só dava em gente sem fé. Melhoramos um pouquinho com a Segunda Vinda do Lula, mas as coisas ainda estão medievais “on our asses”.

No Twitter, todo dia tem Santa Inquisição. Olha só o que ele escreveu! Fogueira! Cancelamento! Hashgtag: #TorquemadaJá.

No WhatsApp, tem mais fantasia do que em livro do Tolkien. General Epaminondas garante que os dragões existem e são todos comunistas! Hashtag: #DragãoNãoSobeARampa

Na Idade Média, era a mesma desgraceira e ainda tinha invasão mongol toda semana. Para esquecer a tristeza, o pobre plebeu ignaro fazia o quê? Buscava refúgio nas histórias de criaturas superpoderosas… os santos. O catolicismo era tipo a Marvel, só que em vez do Tony Stark, tinha o Santo Agostinho. As catedrais eram o cinema daquele tempo, cheias de afrescos lindões e gárgulas assustadoras, mas os artistas recebiam uma merreca. Quero esse anjo até amanhã ou te excomungo e chamo um godo, que é muito mais gótico do que você, entendeu, meu caro ostrogodo?!

Mesmo quando já era quinta-feira e não dava mais tempo de ter saque mongol, alguma coisa inesperada sempre acontecia. Tipo uma nova variante de Peste Negra no burgo vizinho.

E aí, falta muito pra Renascença? Mande um pombo-correio para o colunista.

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