Redação Culturize-se
Pitty descreve o processo de criação de seu novo álbum com uma sensação de estreia: “Sinto que estou fazendo o meu primeiro disco”. Homônimo, o sexto trabalho de inéditas da artista chegou em 16 de outubro pela Deck, nas plataformas, em CD e em vinil, sete anos depois de Matriz (2019).
O disco nasceu após um período de pausa, escuta e reorganização. Movida por uma inspiração que, segundo ela, não foi racionalizada, a cantora voltou a compor sozinha com o violão, como nos primeiros anos, no quarto de casa, em Salvador. Desta vez, porém, foi além de letras e melodias: em seu estúdio, testou arranjos, criou riffs e pré-produziu demos, definindo a identidade das canções antes das gravações. Em menos de dois meses, escreveu as 13 faixas.
O primeiro a ouvir o material foi Rafael Ramos, parceiro de longa data e coprodutor do álbum. Segundo ele, as demos já traziam riff, batida, o crescimento do refrão e até as quebradas de bateria, sem necessidade de reformulação.
O rock segue no centro da linguagem de Pitty, mas não funciona como fronteira. A abertura, “Sobremesa”, primeiro single, une um riff marcante a um refrão melódico. “Armadura” aposta num rock dançante e cita Clarice Lispector. “DESOBEDIENTE” combina referências melódicas de várias tradições, batida de hip-hop e peso de guitarra, com produção de Nave. Felipe Vassão assina a coprodução de “Sobriedade Seletiva” e “Pileque de Poeta” (a melhor faixa do álbum), que aproximam as guitarras da pista. “Caminhada” aborda parceria e sororidade, “Amiga,” ganha novas camadas de percussão e “Álbum de Casamento” dialoga com o blues. Completam o repertório “Não à Deriva”, “Madame”, “Prazer”, “Universo”, “Cuidada” e “Nó”.
Mais de duas décadas depois de surgir como uma das vozes que transformaram o rock brasileiro, Pitty atravessa gerações com um repertório vivo e a inquietação de quem ainda quer experimentar. O álbum reúne a compositora do violão, a roqueira das guitarras e a mulher em movimento.

