Redação Culturize-se
Cerca de 20% da população mundial relata sentir solidão, segundo análise conduzida por Dennis Wesselbaum, da Universidade de Otago, e David Leblang, da Universidade da Virgínia. O estudo usou respostas de mais de 218 mil pessoas em quase 150 países, coletadas pela pesquisa Gallup World Poll, e buscou entender como fatores econômicos, de saúde e sociais se relacionam ao sentimento.
Os pesquisadores identificaram a existência de redes de apoio como um dos elementos mais determinantes: quem afirma ter alguém em quem confiar relata solidão com menor frequência. Problemas de saúde, desemprego e a ausência de um parceiro também aparecem associados ao sentimento, enquanto a escolaridade só reduz a solidão de forma consistente em países de renda média e alta.
A proporção de pessoas solitárias varia bastante conforme a riqueza da nação: 15,7% nos países de alta renda, contra 31,3% nos de baixa renda. Ao comparar 113 países entre 2023 e 2024, o estudo não encontrou uma tendência uniforme de crescimento global do problema — a solidão caiu na maioria dos países analisados, avançou nas nações mais pobres e ficou estável nas de renda média.
Segundo os autores, quem relata solidão também tende a ter menor satisfação com a vida e mais estresse, raiva e dor física, além de sentir menos prazer nas atividades cotidianas. Esse é um padrão que se repete, com intensidades diferentes, em praticamente todos os países pesquisados.
As soluções propostas variam conforme o contexto: nos países pobres, os pesquisadores apontam a redução da pobreza e o fortalecimento de sistemas de saúde como caminhos possíveis; nos países ricos, o investimento em espaços públicos e organizações comunitárias. Para a dupla, combater a solidão vai além da saúde individual e pode melhorar produtividade e fortalecer comunidades inteiras.
