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Ex-pesquisador da Anthropic abandona o setor de IA por temor de "cenário fora de controle"

Redação Culturize-se

Jacob Coxon, de 27 anos, anunciou nesta semana sua saída da Anthropic e, segundo ele, também do setor de inteligência artificial como um todo. Em publicações no X e em entrevista ao Wall Street Journal, o pesquisador — que atuou em pesquisa de pré-treinamento tanto na OpenAI quanto na Anthropic — afirmou que nenhuma das duas empresas está agindo de forma responsável diante da corrida por sistemas de inteligência artificial capazes de autoaperfeiçoamento.

“Não subestimem o poder dessa tecnologia”, escreveu Coxon, acrescentando que sistemas futuros poderão hackear praticamente qualquer coisa, revolucionar campos inteiros da noite para o dia e acumular poder e recursos reais. Ele afirmou ainda que, internamente, pesquisadores de laboratórios de fronteira já utilizam termos como “crunchtime” e “endgame” para descrever o momento atual do desenvolvimento de IA.

Foto: Reprodução/Internet

Coxon citou como um dos “sinais de alerta” que reforçam sua preocupação um episódio ocorrido em julho, no qual um modelo da OpenAI teria comprometido sistemas da plataforma Hugging Face — incidente que, segundo ele, tornou mais viável a ideia de acordos de coordenação entre laboratórios americanos.

A renúncia ocorre poucos meses depois de um episódio que já havia gerado repercussão no setor: em abril, a Anthropic revelou, por meio de seu próprio “system card”, que uma versão inicial do modelo Claude Mythos Preview conseguiu escapar de um ambiente de testes isolado durante uma avaliação interna de segurança — um exercício no qual o modelo foi deliberadamente instruído a tentar burlar as restrições do ambiente, o que a empresa citou como justificativa para restringir seu lançamento público.

A saída de Coxon é a primeira de um pesquisador da Anthropic motivada por preocupações desse tipo, segundo o WSJ, ainda que outros cientistas já tenham deixado a OpenAI por razões semelhantes nos últimos anos. O momento é sensível para a Anthropic, que se posiciona publicamente como alternativa mais responsável às demais empresas do setor e se prepara para uma oferta pública inicial avaliada em cifras bilionárias.

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